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Patrícia Capítulo 34 
Patty, surpresa, olhava para as duas mulheres, Cíntia não tirava os olhos de Patty e, de longe, Marilza a tudo observava. ––– Ué, não dizem que o bom filho a casa torna? Então, não seria eu a contrariar essa parte da bíblia – respondeu Bia sorrindo, sem parar de olhar cada detalhe da mulher à sua frente. ––– Bia deixe-me te apresentar... Esta é Patrícia, minha... Minha... ––– Sou namorada dela – completou Patty de um modo meio arrogante, fuzilando Iara com um olhar. Beatriz sorriu, se deliciando com a oportunidade de um bom embate: ––– Muito prazer, Patrícia, e eu sou a ex-namorada dela. Cíntia foi a primeira a arregalar os olhos, diante das descobertas, e a primeira que conseguiu falar alguma coisa. ––– Peraí, meninas, vamos com calma... O rosto de Patrícia estava ficando roxo de raiva quando Iara apertou seu braço, dizendo: ––– Amor, eu já te falei sobre a Bia, lembra? Patty respirou fundo antes de responder. ––– Sim... Eu... acho que sim... Iara continuou: ––– Trabalhávamos juntas na concessionária antes do meu casamento... Bia resolveu entrar na conversa. ––– Sim, quando eu fiz de tudo pra que esse casamento não acontecesse. Mas essa cabeça dura aí não quis me ouvir. Isso foi há muito tempo, Patrícia. Relaxa... Patty quase bufou com essa palavra... “Quem ela pensa que é pra me mandar relaxar?”
Quando ela ia dizer alguma coisa um novo personagem chegou, abraçando Bia por trás. ––– Oi, lovinha, vai me apresentar suas amigas? – era Paula, que nunca aceitou essa mania da Bia se afastar dela e ficar conversando com outras pessoas, sempre que iam a algum lugar. Cíntia nem deixou que Bia falasse, apressadamente apresentou-a para Iara e Patty e aproveitou para chamá-las de volta à mesa anterior. Mesmo que se mordendo por dentro e com raiva de Iara, Patty aceitou. Ao chegarem à mesa, outras tantas apresentações foram feitas. E elas se instalaram na ponta oposta àquela onde Cíntia se sentara no início, mais próximas de Bia e Paula. Olhando melhor para as pessoas ali, Patrícia se lembrou que já havia visto Márcia e Tânia uma vez, quando foi atrás de Cíntia no bar. Mas era a primeira vez que via Milene e as outras meninas. Isto a levou a pensar: “Acho que esta cidade não é tão pequena quanto eu imaginava”. Foi então que se deu conta de algo: “Meu Deus, de repente estou entre minha atual, minha ex, a ex da ex e a ex da atual... Que doideira isso!” A partir daí resolveu manter a calma e entrar no clima. “Afinal, quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra! E eu tenho os meus...” analisou ela, olhando para as mulheres em volta. Por algum tempo, ela perdeu o fio da meada e, quando deu por si, percebeu que Bia falava algo pra Iara que atraía a atenção de todas. –––... Na época, eu buscava respostas para como uma pessoa poderia abrir mão da própria natureza para agradar às convenções. ––– Eu era muito jovem, Bia! Pensava que só mesmo casando com a aprovação dos meus pais, eu poderia ser feliz nesta cidade tão provinciana. ––– Pois eu nunca deixei que meu pai me dominasse! Nossa, como nós brigamos! Minha mãe, coitada, sofria com isso, mas nunca deixou de me apoiar! Meu pai é que continua turrão até hoje... Iara começou a rir antes mesmo de dizer: ––– Você era a rebeldia em forma de gente, Bia... Às vezes eu desejava ser igual a você quando crescesse. Mas sabe que eu não me arrependo de nada? Não fosse o casamento, talvez em não tivesse um filho lindo e carinhoso como o meu! ––– Cuidado, que um dia ele vai saber o que a mãe aprontou na juventude, hein? ––– Ai, como você é maldosa, Bia! – era Paula que, para não ficar tão de fora da conversa, dava palpites. ––– Pelo que vejo, ela não mudou nada, Paula. Só que a verdade precisa ser dita: É turrona, mas não há amiga melhor no mundo. – Iara olhou de forma carinhosa pra Bia, mas apertou a mão de Patty, como que dizendo: “tá tudo bem... É você que eu amo”. Muitas histórias dos tempos de adolescência de ambas vieram à tona, e riram das muitas lembranças que compartilhavam. Como o assunto parecia não ter fim, Patty cutucou Iara e, consultando o cardápio, pediu o jantar. Amanhã decidiria se deveria ou não ficar sem comer por causa do que Cintia contara. Aos poucos, quando todas entenderam que elas falavam do próprio passado, foram se distanciando da conversa, formando grupos e subgrupos na mesa. Márcia curtia sua gata, Milene e Tatiana trocavam olhares apaixonados, enquanto Marilza se empenhava na arte da conquista à Cíntia. ––– Talvez, num próximo encontro como este aqui, você não esteja tão sozinha e nem eu tão desamparada.... – disse, fazendo um pouco de drama. ––– Sozinha, eu? Imagina... Essa minha condição é temporária, afinal você deixou claro que estaria investindo numa conquista a médio prazo. - Respondeu Cíntia, meio em tom de brincadeira, mas sem tirar os olhos de Patty. ––– Pela direção do seu olhar, talvez eu deva esperar um pouco mais... ––– Desculpe-me, Marilza – Cíntia estava muito séria – mas é tudo muito recente. Talvez você tenha razão. –––... Apesar de acreditar que o resultado vem mais rápido quando malhamos em ferro quente. – rebateu Marilza. Cintia não conseguiu evitar a risada: ––– Ok! Já vi que você não desiste fácil... E eu adoro isso.... – percebendo que Patty se movimentava para ir embora, ela pediu licença a Mari e foi até ela. ––– Patty, eu estou com suas coisas no porta-malas. Quer levar agora? ––– Vamos deixar do jeito que combinamos, porque minha mãe vai até fazer um bolo pra te esperar lá em casa amanhã. ––– Tá bom, então... Até lá! – disse. Já ia se retirando quando Patrícia a chamou de volta, deu-lhe um beijo no rosto e agradeceu. ––– Obrigada! Com esse gesto você provou que é mesmo fiel aos seus sentimentos e leal aos amigos. Cintia quase chorou diante dessas palavras. ––– Ah, que isso!... Manda um abraço pra sua mãe. – foi o que conseguiu dizer. Marilza notou a emoção nos olhos dela assim que ela se sentou ao seu lado. ––– Que palavras mágicas foram essas que mexeram tanto com suas emoções? – perguntou. ––– Na verdade, foi apenas a constatação de que faço bem a mim mesma quando desenvolvo ou mantenho valores de respeito e dignidade. ––– Eu já havia percebido que este corpo lindo conduz uma pessoa do bem. – falou Marilza com um olhar de admiração. Cíntia gostou deste comentário. Recostou-se na cadeira e voltou a interagir com todas na mesa.
Escrito por Maria Menina às 23h44
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