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Conto de Meninas - UOL Blog



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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese



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Conto de Meninas


Patrícia

Capítulo 36

 


Quando Patrícia chegou para assinar os papéis da transferência foi recebida com um olhar cúmplice de Cíntia, que estava satisfeita consigo mesma por ter conseguido alertar Patty sobre os últimos acontecimentos do escritório.. “ainda bem que contei a tempo d’ela se preparar para se defender seja do que for”, pensou. Antes que pudesse falar qualquer palavra, Érica saiu da sala de Hélio e veio ao seu encontro dizendo ironicamente:
––– Pode entrar Patrícia. E prepare-se, porque hoje você vai saber o preço que a gente paga quando destrói uma família.
Patty chegou a sacudir a cabeça enquanto analisava estas palavras e foi com incredulidade no olhar que as revidou:
––– É uma pena, Érica, que eu só tenha um minuto pra me preparar para qualquer injustiça que tenha sido cometida contra mim! Você, ao contrário, tem uma vida inteira para perceber que preconceito e intolerância não te levarão a lugar nenhum. Pense bem no que está construindo pra sua vida, menina.
E, virando-se pra Cíntia, encontrou um olhar afetuoso, porém impotente. Ao entrar na sala, ainda ouviu a voz de Cíntia sussurrando:
––– Boa sorte...

Hélio estava de pé, e de costas pra quem entra, aguardando-a.
––– Sente-se Dra Patrícia.
––– Obrigada, Doutor, mas não pretendo me demorar.
––– Você é mesmo muito cínica, sua lésbica desclassificada! – ele se virou pra ela enquanto falava isso e apontava o dedo em sua direção. – assine logo este papel, - disse, lhe empurrando um papel sobre a mesa - e dê o fora daqui!
Em pensamento Patrícia agradeceu a Cíntia e também a Érica pelo aviso, do contrário ela não teria conseguido manter a calma diante daquele homem raivoso à sua frente. Com um olhar aparentemente tranqüilo, ela leu sua carta de demissão. E, fazendo um esforço inimaginável, ela respondeu com segurança:
––– Eu não vim aqui assinar minha carta de demissão. Vim assinar o meu afastamento deste escritório e pegar os papeis de transferência para o escritório da capital. Afinal, eu não posso me apresentar lá sem esse documento. 
––– Pois bem, - começou Hélio – vou te explicar o que você não tem capacidade pra entender sozinha. Depois do que você fez, me roubando a mulher e afastando o meu filho de mim, nunca me passou pela cabeça facilitar a sua vida. Ou você assina a carta de demissão, ou eu a demito. Ainda estou sendo bonzinho com você, porque na segunda alternativa será por justa causa...
––– Justa causa??? – Patty sentiu o sangue lhe subir à cabeça nessa hora – O que diabos você poderia alegar que possa caracterizar justa causa?? Dê-me a transferência pra que eu possa cuidar da minha vida e pronto.
––– Pra você levar minha mulher e meu filho pra outra cidade, interferir na educação dele, e obrigá-lo a assistir essa pouca vergonha entre você e a mãe dele? Não conte com isso. Já conversei com o pessoal da capital... Eu lhes disse que você não é uma profissional que mereça uma segunda chance...
––– Peraí, doutor Santiago... Segunda chance em que, afinal? – Patrícia, a essa altura, já estava possessa e a ponto de explodir, mas ainda assim tentava de todas as formas manter o equilíbrio por desconhecer os detalhes da acusação. – Seja mais claro e me diga qual o motivo você alegaria para a demissão por justa causa.
––– Roubo... Tráfico de drogas.  – o olhar de Hélio brilhou quando pronunciou esta palavra – E eu faço questão de mostrar à Iara as provas que encontrei para te incriminar. Então nós vamos ver quem ela vai escolher...
––– Você está absolutamente louco! Eu não vou ficar aqui, ouvindo esses disparates, essas acusações...
––– É? E vai fazer o que, mocinha? Sair chorando atrás dos seus direitos? Que direitos, se você abandonou o trabalho há mais de um mês? Só isso já seria motivo mais que suficiente para uma demissão sumária!
Patrícia ouvia e olhava para o homem a sua frente, sem acreditar no que estava acontecendo, mas já consciente que ele estava fora do seu normal.
––– Doutor Santiago, - Patrícia respirou fundo antes de continuar, - vamos tratar deste assunto sem tanto estresse. É tão simples. Assino, pego o documento e vou embora... Essa demora é injustificável. Somos adultos e devemos agir de acordo com as regras que regem o mundo adulto. Não abandonei o trabalho, tirei férias!
––– Férias? Eu tenho testemunhas que foi abandono de trabalho! Querendo ou não, você está demitida! Fora daqui!!
––– Eu assinei as minhas férias, doutor, e é claro que tenho as cópias de tudo o que assino. Estão aqui na minha gaveta. E sim, eu saio daqui agora e vou direto para o escritório central. Lá nós dois vamos ver quem está com a razão!
Hélio soltou uma gargalhada irônica antes de dizer:
––– Você não tem mais uma gaveta aqui, sua ladra de mulheres! E vá ao escritório central, a minha palavra tem credibilidade. E a sua, tem? Alguém sabe quem é você? 

Patrícia, não suportou mais tantas palavras insanas. Saiu batendo a porta e quase atropelou Cintia e Érica, que muito próximas à porta, ouviam tudo.
––– Você sabia dessa palhaçada, Cintia? – perguntou Patty, enquanto tentava abrir sua gaveta.
–––Claro que ela sabia! Ela viu quando o chaveiro veio trocar esta fechadura aí. – respondeu Hélio já chegando ao seu lado e balançando um molho de chaves.
Patrícia sentiu a cor sumir de seu rosto, ao perceber o que estava acontecendo. Olhou para Cíntia que, atrás de Hélio, lhe fez um sinal de calma.
Então olhou bem nos olhos daquele homem descontrolado e disse em um tom bem abaixo do seu normal:
––– Com licença... Vou atrás dos meus direitos.
Patrícia levantou a cabeça e saiu rapidamente para que ele não visse as lágrimas que brotavam em seus olhos. Ao mesmo tempo em que Hélio entrava em sua sala e batia a porta.

Antes de entrar no carro, Patty ligou para Iara.
––– Meu amor, eu quero falar com você agora. Onde você está? Como posso te encontrar?  - ela tentava disfarçar o choro, mas Iara percebeu.
––– Você está chorando? O que aconteceu?
––– Aquele imbecil do seu ex-marido...  Ele enlouqueceu... Quero te ver... Você pode me encontrar em minha casa? Assim eu conto a história uma vez só pra você e pra minha mãe... 
Ela disse entre soluços e lágrimas.
––– Olha, eu estou no hospital com meu pai... 
––– Ai, meu Deus! O que aconteceu com ele? Quer que eu vá até aí? Você está precisando de alguma coisa? – Patty interrompeu Iara e nesse momento quase esqueceu tudo o que acabara de acontecer com ela.
––– Hei! Calma!. Tá tudo bem... Meu pai se cortou enquanto afiava uma ferramenta e eu o trouxe no pronto socorro. Ele tomou a vacina contra tétano, foi medicado e o ferimento recebeu um curativo. Agora está tudo bem.
––– Ai, que alívio, minha vida! De repente me veio à mente tudo o que você passou com sua mãe... Desculpe-me...
––– Relaxa, Patty... Vou conversar com meu pai e, se ele aceitar, nós vamos para sua casa. Se não, eu o deixo em casa descansando e vou ao seu encontro. Pode ser?
––– Tá bom... De qualquer forma estarei te esperando. 
Assim que Patty entrou em casa, dona Marta percebeu que havia algo errado.
––– O que é que aconteceu pra te deixar bufando assim, menina?
––– Ah, mãe! Aquele imbecil do meu chefe... Ele me disse palavras horrorosas... Não sei o que vou fazer agora...
––– Eu te avisei que ele não ia deixar vocês em paz... 
––– Mãe, é melhor a gente nem começar a falar agora... A Iara está chegando aí, então eu falo tudo de uma vez... Agora preciso ver uma coisa no meu quarto...
––– Tá bom, minha filha... então, vou passar um café pra gente.



Escrito por Maria Menina às 21h49
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Patrícia

Capítulo 35

Já no final da noite, Iara e Bia trocavam telefones e promessas de manterem contato e até de se visitarem posteriormente. Paula e Patty tentavam disfarçar, mas ambas estavam enciumadas do passado de suas namoradas.

A caminho de casa, Iara demonstrou seu descontentamento com a reação de Patty no momento em que Bia se aproximou.
––– Você precisa aprender a controlar essa sua impulsividade... No final, tudo tem uma explicação. Sempre! Não se esqueça disso...
Seu tom era tranqüilo, mas Patty, que demoraria muito pra aprender isso, não deixou por menos:
––– Você queria que eu ficasse rindo e fazendo festa para aquela mulher que chegou toda senhora de si e foi logo te abraçando, cheia de pose e dizendo que é sua ex-namorada? E, pra completar, você ainda hesita antes de dizer quem eu sou pra ela! Eu tive que me antecipar e dizer logo, se não ela ia achar que você estava ali, pronta pra ser devorada por ela. Ah, não! Você viu que ela não respeitou nem a namorada, que ficou a noite toda com cara de boba. Igual a mim...
––– Quando será que você vai entender que tudo ainda é muito novo pra mim? Até há pouco tempo eu estava casada com um homem, como manda o figurino. Numa vida onde os títulos tipo “marido, mulher, esposo, esposa” são fáceis, são aceitos, são parte do dia-a-dia! Agora eu estou namorando uma mulher e, muitas vezes não vou mesmo saber como te chamar, te apresentar... Poxa, me dá um desconto! Tudo é muito novo pra mim! – desabafou Iara – Quanto à cara de vocês, não posso fazer nada. Estávamos conversando sobre lembranças... Recordações de um tempo que ficou no passado.

Patrícia dirigiu em silêncio por algum tempo e, já chegando ao portão da casa do pai de Iara, ela parou e pediu desculpas.
––– Você tem razão...  Amor me perdoa... Perdão, amor... Sei que tenho o estopim curto e preciso controlar esse gênio de cão...
Estacionou e continuou pedindo perdão e abraçando Iara.
––– Perdoa? Você vai me perdoar? Fala... me responde...
Iara começou a rir...
––– É impossível não te perdoar, garota... Vem, vamos entrar um pouco, meu pai deve estar curioso pra saber o que houve...
Beijaram-se e desceram.
––– E se ele estiver dormindo? Ai, eu não quero incomodar, sabe, ele é muito bonzinho comigo... Por isso tenho que andar pianinho...
Rindo, Iara respondeu:
––– Ele me garantiu que ficaria acordado pra saber o que aconteceu. E você tem que andar nos trilhos por minha causa e não por causa do meu pai, viu, mocinha?

Ainda não era meia-noite. Seu Alcides ficou com o neto no quarto, contando histórias de quando era menino lá em Minas, até ele adormecer e agora esperava pela filha, pensando em todas as mudanças repentinas dos últimos tempos. Agora só lhe restara filha e o neto. Família pequena. “Bem que eu gostaria de ter tido muitos filhos, ver a casa cheia de bacuris correndo pra lá e pra cá, mas Alice não pôde mais gerar filhos... Deus sabe o que faz!”
Já sentia os olhos pesados de sono, quando elas entraram e o encontraram assim, sentado na cozinha, quase cochilando. Acomodaram-se em cadeiras próximas e contaram o que acontecera no escritório.
––– Pessoas como nós, que tem bom coração, às vezes tem dificuldade para identificar a maldade... Depois daquele dia em que o Hélio veio aqui e me falou todas aquelas coisas que vocês já sabem, eu não duvido que ele queira afastar vocês duas colocando em dúvida a sua reputação, Patrícia.
––– Pois é... eu fico tentando adivinhar o que ele tem em mente, seu Alcides. O que eu sei é que sempre fui muito dedicada e responsável no meu trabalho. Acho difícil ele conseguir me prejudicar nesse ponto. – Patrícia falou com muita seriedade no olhar, e Iara pensou: “Que bom que meu coração tenha se apaixonado por uma mulher de tão bom caráter.
Seu Alcides também pensou algo parecido: “ainda bem que minha filha não se envolveu com uma pessoa desonesta...”
––– Então só nos resta aguardar os próximos passos dele. Vamos dormir, porque não adianta nada ficar aqui tentando adivinhar o que ele vai fazer. Amanhã é outro dia. Boa noite!– disse ele, se levantando.
––– Boa noite, pai. Vou levar Patty até o carro e já venho também.
––– Por que você não fica aqui? Está tarde e é perigoso andar sozinha a essas horas.
Iara se surpreendeu com as palavras do pai, mas foi Patrícia quem lhe respondeu:
––– Obrigada pela preocupação, seu Alcides, mas eu preciso mesmo ir pra casa. Não gosto de deixar minha mãe sozinha. Boa noite e até amanhã. – disse ela se dirigindo à porta, com Iara atrás de si.

                                                         <<<<<<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>> 

Ao chegar em casa encontrou sua mãe ansiosa por notícias.
––– E então, Patty, o que é que a Cíntia queria com vocês duas? – perguntou assim que ouviu a porta se fechando. Patrícia nem mesmo havia soltado a maçaneta.
––– Hei dona Marta, nem espera eu chegar direito. – disse Patty de bom humor, apesar da ruguinha de preocupação na testa.
Depois de dar um beijo na mãe, ela relatou os fatos de acordo com o que Cintia havia dito.
––– E agora, minha filha, o que é que você vai fazer?
––– Nada, mãe. Amanhã de manhã vou até o escritório assinar a transferência, e vamos ver o que ele tem pra me dizer. Não quero me precipitar e nem premeditar nada, porque não tenho a menor idéia do que é que vem por aí.
––– Vou rezar pra que Deus te preteja agora e sempre....
––– Obrigada, mãe... Agora, vamos dormir, porque amanhã quero estar bem descansada e alerta.
Despediram-se e foram dormir.

Na manhã seguinte, antes de sair, Patty ligou pra Cíntia.
––– Você já chegou ao escritório? (...) Ah, ele também? Ok... então, quando eu chegar aí, é melhor não darmos bandeira que você contou o que viu ontem. (...) eu sei que você não permitiria, mas temos que pensar que ele pode querer te prejudicar se ficar claro que está do meu lado. (...) Entendi, Cíntia, você está do lado da verdade e da justiça, claro. Por coincidência eu também vivo deste lado. (...) (...) Calma, eu sei que isso não é uma briga. (...) Tá bom... Beijos....

 



Escrito por Maria Menina às 00h44
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