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Conto de Meninas - UOL Blog



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Conto de Meninas


Patrícia

Capítulo 47


 

A primeira coisa que Patrícia fez ao chegar à cidade foi levar Cíntia até o estacionamento do restaurante, onde ela havia deixado o carro. Dali, elas foram até a casa de Patty, onde Marta as esperava com muita ansiedade. As novidades eram muitas, e Patrícia precisou se controlar várias vezes para não ‘botar o carro na frente dos bois’. Queria contar tudo em ordem cronológica, para que dona Marta vibrasse com ela com o final da história, mas acabou atropelando tudo, sem querer...
––– Enfim, mãe, amanhã de manhã a chefona vem para determinar nossas novas tarefas no escritório...
––– Mas porque novas tarefas? Eles lá não estão gostando do jeito que vocês trabalham agora?
––– Mãêeeeeeee... Mãezinhaaaaaaaa.... acooordaaaa  – disse Patty sorridente – o grande chefe chato foi obrigado a tirar uma licença, e nós duas aqui, ó, vamos trabalhar sem pressão por algum tempo!! Isso é bom demais, mãe!!
Dona Marta, que até então estava apreensiva com tudo isso, relaxou e sorriu diante da alegria da filha. Imediatamente decretou que Cíntia almoçaria com elas e foi pra cozinha dar andamento no almoço.
––– Eu não deveria ficar, Patty. Preciso ir a minha casa ver meu gato... Ele ficou sozinho, coitadinho... nem sei se providenciei comida suficiente ontem pela manhã...
––– Gato? Que novidade é essa, Cín?
––– Ah, senti necessidade de dividir minha casa com “alguém”. Fui até a clínica da Sandra, nossa colega - disse, rindo – e ela me ofereceu um gatinho muito fofo... agora ele mora lá em casa, comigo...
Patrícia se surpreendeu:
––– Eu nem sabia que você gostava de bichos! Que nome você deu pra ele?
––– Sagu. Lindo, fofo... Branquinho com manchas pretas pelo corpo! – Cíntia se derretia ao falar do bichano.
––– Ele não vai morrer se você ficar aqui por mais umas duas horinhas... Gato é muito independente...
Ouviram o interfone e, em seguida, dona Marta indo em direção à porta:
––– O porteiro avisou que Iara está subindo.
As duas não disseram nada, porque a campainha já estava tocando. Dona Marta abriu a porta, e Iara cumprimentou-a com beijinhos, dizendo:
––– Como vai a senhora? Desculpe-me vir sem avisar, mas achei melhor assim... Estou preocupada com Patrícia... A senhora tem notícias dela?
Nesse instante, dando um passo mais à direita, ela viu as duas sentadas no sofá.... Olhou bem para uma e depois para a outra, antes de cumprimentá-las de longe, tentando mostrar naturalidade:
––– Oi, Cíntia, como vai? Patty, tudo bem com você? Não me deu notícias... Resolvi vir...
Patrícia não fez nenhum movimento para se levantar. Fez apenas um gesto expansivo com as mãos apontando o sofá para que ela se sentasse ao seu lado.
––– Sim, Iara, está tudo bem comigo... Agora, não posso dizer o mesmo do seu ex-marido... Ele não gostou nada do resultado daquela armação toda que preparou pra mim.
Iara não se conteve mais e perdeu a pose, alterando um pouquinho o tom de voz:
––– O que aconteceu? Vou saber através de você ou dele?
Patty pediu licença à Cíntia, pegou Iara pela mão e foi para o quarto.
Cíntia soltou um suspiro profundo, forçando um ar de indiferença, levantou-se e foi ter com dona Marta na cozinha:
––– E aí, precisa de ajuda? Minha mãe diz que eu sou a melhor lavadora de alface que ela conhece – disse rindo, ao ver um pé de alface sobre a pia. Dona Marta sorriu também, e ficaram ali, conduzindo aquela função com alegria, como duas velhas amigas.
––– Faz tempo que você chegou da capital, Patty? – foi a primeira pergunta de Iara quando entraram no quarto de Patrícia.
––– Não, talvez uns 40 minutos... Eu estava acabando de contar as novidades pra minha mãe quando você chegou...
––– Isto significa que você ligou pra Cíntia antes de chegar aqui, e que eu seria a última pessoa a quem você contaria o resultado da sua conversa com quem quer que seja!
––– Outra vez a resposta é não, Iara.
––– Como assim? Ela estava aqui quando você chegou? Ah, é verdade... Eu havia me esquecido que ela é amiguinha da tua mãe...
––– Cíntia foi comigo.
Iara ficou muda diante da revelação e sentiu o sangue subir pra cabeça, como dizem.
––– E você me diz isso assim, sem anestesia? Então, foi por isso que você não atendeu as minhas ligações e chegou até a desligar o celular! Não queria ser interrompida, né? Poderia ter tido a decência de romper comigo antes, Patty. Não acredito que você foi capaz de uma atitude dessas! Não combina com tudo o que você vive me dizendo!
––– Hei! Alto lá! O fato de Cíntia ter ido comigo não significa que esteja rolando alguma coisa entre nós duas!
––– Acontece que vocês tiveram um caso! Eu não acredito que tenham passado uma noite juntas sem que nada tenha acontecido!
––– Ah, me poupe, Iara! É evidente que não foi uma questão de escolha... Você, sim, escolheu tirar o corpo fora, enquanto aquele louco do Hélio me caluniava de todas as maneiras!
––– Como assim, tirei o corpo fora? Não fui com você, porque VOCÊ preferiu levar a Cíntia!
––– Iara, eu não poderia ter te convidado pra ir comigo, porque você deixou bem claro que não queria se expor. Afinal, precisa preservar a sua imagem de mulher infeliz! Não entendo você, Iara. Agora que poderia ser feliz, tem medo...
Sem perceber, Patty respondia aos gritos, imitando Iara, que também alterara a voz.
––– Isso não tem nenhuma relação com o que estamos discutindo aqui. Estamos falando de desprezo, porque ontem você saiu daqui sem me avisar, sem me comunicar... Ou seja, me ignorou totalmente! E ainda levou outra mulher pra resolver um problema que é nosso!
––– Você não sabe de nada, Iara. Ela também se tornou parte do problema... Ela resolveu me ajudar e por isso sofreu conseqüências sérias!
––– Mentira, Patrícia! Você se aproveitou daquela minha frase infeliz para me trair! Se é que já não fez isso antes! – Iara estava totalmente descontrolada - Vamos fazer o seguinte: quando você resolver me contar a verdade, me procure. Tchau!
E saiu do quarto, antes que Patrícia pudesse evitar. Ainda assim, ela saiu atrás:
––– Iara! Espera! Vamos esclarecer... Vamos conversar...
De nada adiantou. Ignorando dona Marta que saía da cozinha na intenção de interferir na briga, Iara abriu a porta e saiu, sem olhar pra trás.
Patrícia emudeceu. Jogou-se no sofá e ficou ali, parada, calada, pensativa...
Cíntia e sua mãe apenas olharam da cozinha e sequer fizeram menção de ir até ela. Em tom confidencial, dona Marta disse:
––– Às vezes, eu acho essa moça muito perdida. Não sei se minha filha é correspondida...
––– Eu não a conheço bem. Acho que é a terceira vez que a vejo... E também, eu sou a pessoa mais suspeita pra falar qualquer coisa, né, dona Marta? Rapidinho eu consigo achar quinhentos defeitos nela... – Cíntia falou com um risinho cúmplice.
Numa silenciosa cumplicidade, elas combinaram não incomodar Patty, que ficou por vários minutos ali, bem quietinha, no sofá, como se aquele fosse um momento único, em que ela poderia decidir o seu futuro amoroso.
Quando Marta e Cíntia terminaram o almoço e foram até a sala pra chamá-la para almoçar, não a viram mais.
Depois de analisar por algum tempo a reação de Iara, Patty se levantou do sofá, foi ao quarto, pegou a bolsa e, silenciosamente, saiu atrás dela. Somente ao se aproximar da garagem e depois de se perguntar que rumo deveria tomar para alcançá-la, foi que percebeu desconhecer a direção tomada por Iara.  “Ah, Patty, Patty... Não seja idiota... Ela pode ter ido pra qualquer lugar e talvez seja melhor eu esfriar a cabeça antes de ir atrás dela.” Ponderou por alguns minutos e voltou a entrar em casa. Encontrou a mãe e Cíntia numa conversa animada, já sentadas à mesa. Dona Marta conhecia muito bem a filha, para criar caso por tão pouco. Por isso, disse com naturalidade:
––– Senta aí, filha e almoça direitinho. Aposto que lá, por onde vocês duas andaram, não comeram nada tão fresquinho assim...
Patrícia sentou-se sem falar nada, e foi Cíntia quem respondeu:
––– E nem tão gostoso, com certeza! E a senhora tem razão. Comida de restaurante nunca é totalmente fresquinha. Eles reaproveitam muita coisa, e a gente nem percebe, no final das contas.
Exceto os pedidos à mesa tipo: “Por favor, me passe a salada” “... o sal”... “o arroz”... Patty comeu em silêncio. Mas Marta e Cíntia tagarelaram o tempo todo. Principalmente Cíntia com a novidade do Sagu, o gato:  “a senhora precisa ver que fofo”... “Que inteligente”... “Que isso... que aquilo”.
Elas terminaram de almoçar, Cíntia ajudou a mãe de Patty a tirar a mesa, ficou com ela na cozinha enxugando as louças que aquela lavava e, finalmente, decidiu que iria embora. Despediu-se de Marta com um abraço e de Patty com o “Tchauzinho e até amanhã” de longe mesmo e se foi.
Em 20 minutos entrou em casa e saiu à caça de Sagu, que estava escondido embaixo do edredom, dormindo. Ele não quis saber de muita farra, por isso ela foi direto verificar se ainda havia comida no pratinho dele. Fez a reposição, limpou a caixa de areia e foi tomar banho. Uma hora depois de entrar em casa, ela saiu. Foi direto para um salão de cabeleireiros ali perto. Como não havia marcado hora, esperou por uns vinte minutos e foi atendida. O que ela procurava era um bom corte e a fixação da cor. Era naturalmente loira, mas sempre gostou de dar uma forcinha pra natureza e gostava de mantê-los curtos. Não tinha muita paciência pra cuidar de cabelos longos.
Enquanto esperava por atendimento, ela se lembrou de Marilza. “Um bom papo e um olhar de desejo fazem bem pra qualquer um, pra mim, então, como fazem!” Marcaram um happy hour pra logo mais e isso foi suficiente pra que Patty deixasse de monopolizar seus pensamentos.

 



Escrito por MariaN às 09h26
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Patrícia

Capítulo 46



O silêncio não durou mais do que 5 segundos. Mas foi tempo suficiente para Patrícia sorrir, em agradecimento, para Cíntia, e Dr. Salles e Dra. Helena trocarem um olhar e um risinho quase imperceptíveis. Hélio, bufando de ódio, chegou a fazer menção de projetar seu corpo para frente, na intenção de se levantar, enquanto gritava com Cíntia:
––– Sua piranha irresponsável!! Um homem não pode ser ferido assim na sua condição e no seu brio!! Isso foi golpe baixo!! Isso não vai ficar assim, sua...
 Dra Helena, porém, paralisou-o momentaneamente ao mencionar o seu nome:
––– Dr. Hélio Santiago, o senhor está ultrapassando os limites do respeito e da decência! Tente se acalmar e preste atenção a sua volta! – deu uma pausa e completou - Nós não desconfiávamos de nada, mas agora podemos afirmar que todas as suas atitudes tiveram como objetivo a consumação de uma vingança para, evidentemente, prejudicar a moça. Até que ponto o senhor pretendia ir com essa história?
Hélio estava lívido e seus olhos enraivecidos destilavam ódio na direção de Cíntia. Estava magoado em seu machismo exacerbado e em sua vaidade masculina. Ele ignorou a pergunta de Dra Helena. De cabeça baixa, mexia as mãos nervosamente, cruzava e descruzava as pernas e Patrícia poderia jurar depois que viu lágrimas correndo em seu rosto.
Dr. Salles, ante o silêncio de Hélio, percebeu que precisava fazer alguma coisa. Olhando para as duas moças, ele pediu-lhes:
––– Por gentileza, Patrícia e Cíntia, deixem-nos a sós com o Dr. Santiago. Depois eu as chamarei de volta. Por favor – repetiu, estendendo a mão em direção à porta.
Elas saíram, mas desta vez não ficaram na sala com Salete. Cruzaram a porta e se sentaram no saguão, próximas ao elevador. Patrícia foi a primeira a falar, durante um abraço carinhoso:
––– Cin, muito obrigada por dizer o que eu jamais conseguiria!
Calmamente, Cíntia desvencilhou-se do abraço e, segurando-a pelas mãos, levou-a até um sofá enorme. Sentaram-se e Cíntia falou:
––– Patty, não precisa me agradecer pelo que eu fiz. Apenas tomei pra mim a espinhosa tarefa de abrir o jogo.  Essas reuniões poderiam se estender por tempo indeterminado, e nada seria resolvido se o verdadeiro motivo desta perseguição em cima de você não fosse dito. Talvez eu tenha antecipado a solução... Sei lá... - Complementou sorrindo.
––– Você foi maravilhosa, Cin... Desculpe-me, mas não posso deixar de pensar em Iara agora. Ela tinha medo que isso acontecesse. Nunca quis ser exposta... É um direito dela...
––– Eu sinto muito por vocês! – disse Cíntia – Sim, porque essas reservas podem atrapalhar muito a vida da gente. Nenhuma relação pode ser completa quando o medo de se expor é mais forte do que o amor. Ah, não sei se é porque eu sou tão intensa e autêntica comigo mesma... Bom, é uma pena que seja assim.
Depois dessas palavras, um silêncio chato pairou sobre elas. Patrícia fez cara de emburrada, levantou-se e foi até a sala de Salete. Enrolou um pouco entre um copo d’água e uma ida ao banheiro e permaneceu em silêncio ao retornar pra perto de Cíntia
––– Patty, relaxa, vai! Eu estou me saindo muito bem dentro dessa situação toda. A partir de amanhã talvez a gente mal se veja... Segue o teu caminho com a Iara e sejam felizes, apesar do ex-marido dela. Tenha certeza de que eu também vou dar um jeito na minha vida – concluiu tentando sorrir.
Mas Patrícia sabia que muitas coisas poderiam mudar dali em diante.
––– É, eu sei, Cín... Eu sei que a gente vai se encontrar bem menos agora... Mas isto não me deixa contente. Tenha certeza disso. Eu sinto tua falta...
–––Nós sentimos falta até de um objeto inanimado. De pessoas, nós só podemos sentir saudade... Ou nada.
Cíntia falou, fingindo procurar alguma coisa dentro da própria bolsa.
––– Poxa, Cín, não leve tudo que eu digo tão ao pé da letra assim! Você entendeu...
––– Entendi... Mas terminando isso aqui, vou embora pra resolver minhas coisas, minha vida... E Relaxa, porque está tudo bem comigo...
Nesse momento, viram Hélio parando em frente à Salete, falando algo com ela. Mantiveram-se imóveis quando ele abriu a porta e veio na direção em que elas estavam. Mas ele as ignorou e dirigiu-se ao elevador, ao mesmo tempo em que Salete lhes fazia um sinal para que entrassem.
Salles e Helena as recepcionaram com um aceno de cabeça, e ele fez um sinal para que se sentassem nas mesmas cadeiras em que estavam antes. E foi ele quem começou:
––– Eu quero contar pra vocês tudo o que aconteceu desde ontem, quando Hélio Santiago me procurou. Antes, porém, quero que saibam que em nenhum momento eu agi de má fé. A minha esperança era que ele voltasse atrás em alguns pontos, o que não aconteceu. Mas vamos lá: quando ele chegou aqui ontem, eu estava saindo para o almoço. Como me disse que o assunto era de extrema urgência, eu o convidei pra vir comigo. Enquanto almoçávamos, ele me falou que estava perturbado porque enfrentava um caso de abandono de trabalho, dizendo em seguida que se tratava de você, Patrícia. Patty fez um sinal que queria falar alguma coisa, mas ele deixou claro que gostaria de concluir antes de passar a palavra. E continuou:
––– Esta informação me causou um certo desconforto, porque há alguns dias eu lhe fiz uma determinada observação – ou sugestão, não sei - sobre o trabalho lá no escritório de vocês, e ele me respondeu que  “isto seria inviável agora, já que uma das funcionárias está de férias”. Por isso, eu fiquei meio desconfiado e cheguei a pedir a Dona Salete que te convocasse para uma reunião urgente, Patrícia. Antes que ela pudesse cumprir esta ordem, você apareceu aqui.
Dr. Salles tomou um pouco de água e prosseguiu:
––– Na reunião de ontem, foi impossível chegarmos a qualquer decisão, devido ao estado de nervos que se abateu sobre ele. Por isso, eu pedi a vocês duas que esperassem lá fora, enquanto nós dois conversávamos. Eu acreditava que, estando só nós dois aqui na sala, ele pudesse mudar o discurso e confessasse o real motivo que o levara a te acusar. Por isso, pedi a Dona Salete que pegasse, no arquivo do RH, a pasta de controle de férias da sucursal. Ele, então, reconheceu que mentiu neste ponto, e só. Finalmente, chamei a Dra. Helena para me ajudar a resolver esta questão, e aqui estamos nós.
Cíntia e Patrícia olharam para Dra Helena, esperando que ela fosse se manifestar, pedindo a palavra. Como ela não o fez, Patty aproveitou para agradecer ao Dr. Salles:
––– Eu só tenho a agradecer pelas suas ações e pela maneira como o senhor conduziu esse problema, não se precipitando em momento algum, doutor Salles. Chegamos a um ponto em que eu não sabia o que fazer para ser ouvida. Antes de qualquer outro mal entendido, eu quero deixar claro que apenas ontem, aqui no estacionamento da empresa, eu tomei conhecimento daquela gravação que a Dra Cíntia fez.
Cíntia apressou-se em se defender:
––– Não agi de caso pensado ao gravar aquela conversa. Foi uma coincidência mesmo. Eu pretendia desligar o celular, para entrar na sala dele e acionei o comando de gravação, sem querer. Portanto, não me sinto na obrigação de pedir desculpas...
Dra Helena, que se mantivera em silêncio, apenas concordou com um sinal de cabeça, e continuou do ponto que o Dr. Salles parou:
––– Antes de lhes comunicar o que foi decidido aqui, quero parabenizá-la, Patrícia, por sua sensatez e também pela demonstração de respeito – principalmente por ele - em não revelar a razão dessa perseguição. Foi um gesto bastante louvável da sua parte não constrangê-lo ainda mais. Pena que isto só tenha protelado o final desse conflito.
Patrícia apenas assentiu com a cabeça, louca pra ver o final dessa conversa. Finalmente, Dr. Salles comunicou-lhes:
––– A partir de amanhã, o Santiago sairá de licença por um período ainda não determinado. Com isto, vamos precisar de vocês duas para conduzir os trabalhos no escritório. E então, o que vocês acham dessa nova responsabilidade?
Cíntia, preocupada com seu futuro, mas lembrando-se do que acontecera quando gravara aquela conversa, achou por bem perguntar:
––– E como é que fica o meu pedido de demissão?
––– Esqueça-o – disse Salles.
––– Bom, vocês estão dispensadas – disse a Dra Helena – Nós nos encontraremos novamente no seu local de trabalho, amanhã pela manhã, quando resolveremos alguns trâmites burocráticos, que lhes darão poder de decisão lá no escritório.
Elas se levantaram e apertaram as mãos que lhes foram estendidas. Agradeceram e saíram, sem sequer trocar um olhar. Disseram tchau para dona Salete e se foram.
Somente depois que chegaram ao carro é que se abraçaram de felicidade.
––– Confesso que o que me deixa ainda mais feliz, Cin, é saber que você não foi prejudicada por minha causa!
––– O importante agora, Patty, é que ficamos livres do doutor Carranca por um bom tempo! Uh-la-lá!!
Imediatamente Patrícia ligou para a mãe, dizendo que estava tudo bem e que logo-logo estaria chegando com Cíntia. Em seguida, movimentou o carro e, sorridentes, pegaram o rumo de casa.



Escrito por MariaN às 23h05
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