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Patrícia Capítulo 49 
Do canto oposto do café, Marilza acompanhou todos esses movimentos, inclusive o momento da saída intempestiva de Iara. E foi com uma ponta de preocupação que ela observou, apontando com o queixo na direção de Patty: ––– Parece que suas amigas estão enfrentando uma bela de uma crise! E antes mesmo que Cíntia respondesse, ou se virasse pra olhar, ela complementou: ––– Você é muito apaixonada por ela, não? Cíntia, que não sabia da presença delas ali, se virou pra ver sobre quem ela falava. Quando viu Patty, fez menção de se levantar, mas se arrependeu a tempo e forçou-se a manter um comportamento impassível, ficando quieta, aguardando, sem responder a pergunta de Marilza. Ainda há pouco ela havia contado por alto o que acontecera nas últimas horas. Marilza lembrou-a então de que estava na mesa naquela noite e que sabia do que se tratava. Diante do silêncio de Cíntia, Marilza tornou a falar, entre um gole e outro de chopp: ––– Se você quiser, pode chamá-la pra ficar conosco aqui. Ela deve estar na maior saia justa, depois que a outra a deixou na mesa daquele jeito... ––– Sim, acho que você tem razão! Vou mesmo convidá-la pra ficar com a gente aqui. Se eu a conheço bem, talvez ela nem aceite. Dizendo isso, Cíntia se levantou e foi até a mesa de Patty. Patty parecia estar sentindo algo como uma vaga inquietação por estar vivendo aquela situação de abandono. Com o olhar distante e desatento, ela olhava para Cíntia, enquanto esta lhe fazia o convite. Com algum esforço ela aceitou o convite. Mais para agradecer a atitude de Cíntia e da amiga, do que por necessitar de companhia. Na verdade ela gostaria mesmo era de estar absolutamente só agora, para poder chorar todas as suas decepções. Antes de seguir Cíntia, porém, terminou o seu café. Do seu canto, Marilza suspirou quando as duas vieram em sua direção, depois de acompanhar com o olhar a conversa entre elas. Ao sentar-se à mesa, Patrícia agradeceu a Marilza: ––– Muito obrigada por sugerir que Cíntia me convidasse... Fiquei numa situação bem desagradável mesmo... Ao que Marilza respondeu: ––– Não por isso. Amigo é pra essas coisas. Numa mesa de quatro lugares, Patty se sentou do lado esquerdo de Cíntia, de frente pra Marilza, com uma cadeira entre elas. Na tentativa de deixar Patty mais à vontade, Cíntia perguntou: ––– Quer falar a respeito do que acabou de acontecer? Patrícia balançou a cabeça num gesto indefinido, mas que poderia ser interpretado como uma resposta negativa, e ficou por alguns segundos com o olhar perdido, como se procurasse dentro de si as respostas para o comportamento de Iara. De mansinho, ela começou a falar. A voz saía em tom baixo, como se estivesse com medo de se fazer ouvir. Era apenas um pensamento com som, num volume alto o suficiente para ser ouvida apenas por ouvidos muito atentos. No caso, os ouvidos de Cíntia que ficavam sempre ligados nela. Falava como se estivesse sozinha... Mas as palavras eram dirigidas a Cíntia. E ela sabia disso. ––– Desde que conheci Iara, eu sempre lutei muito para tê-la comigo. O tempo inteiro eu demonstrei o que sentia, e ela só exigia mais e mais... Acho que ela quer uma perfeição que não existe... Talvez eu esteja falando um monte de besteiras, mas... Sei lá... Acho que me cansei... O burburinho ao redor e a posição na mesa impediam que Marilza ouvisse todas as palavras de Patty. ––– Qual foi o motivo deste desentendimento? – perguntou Cíntia. ––– O mesmo do desta manhã: Ciúme... Ciúme de você. Quando ela soube que você esteve comigo o tempo todo, não se conformou. ––– Ela só está arrependida por não ter te apoiado. Não acho que seja ciúme de mim. Afinal, nós sabemos que ela não tem motivos pra isso... Patrícia olhou profundamente dentro dos olhos de Cíntia e respondeu: ––– Não tenha tanta certeza disso, Cin. E, olhando para Marilza: ––– Mais uma vez muito obrigada, mas agora preciso ir embora. Tchau! Foi um prazer... Até amanhã, Cíntia... Divirtam-se! Apenas Marilza seguiu-a com o olhar até o caixa, viu quando ela pagou sua conta e saiu do café sem olhar pra trás. Cíntia permaneceu imóvel após responder com a mesma fala a despedida de Patty.
Quando Patrícia entrou em casa, deu de cara com sua mãe no meio da sala, com suas roupas novas na mão. E ela foi logo dizendo: ––– Ah, filha, amanhã você pode estrear esse seu conjuntinho aqui, ó... Já passei a ferro e fiz bainha na calça. Você sabe qual a sandália que vai usar pra combinar?? Quando percebeu que Patrícia não vibrava com a notícia e, o que é pior, trazia nos olhos aquela cara de preocupação e tristeza que Marta conhecia tão bem, logo ficou preocupada e perguntou: ––– Você está bem, Patty? ––– Obrigada, mãe... Estou bem, sim– disse ela se aproximando e dando um beijo em Marta - Mas agora vou dormir, porque o dia de amanhã promete. Demorou a pegar no sono, mas não se levantou pra ficar perambulando pela casa e preocupando a mãe, como já fizera antes, na época da adolescência. Pensou em rezar, mas como há muito tempo não rezava, já não se lembrava de nenhuma oração dos tempos da primeira comunhão. Recordou-se, porém, de ter lido em algum lugar sobre a cromoterapia e seus benefícios... Deitada de costas, ela deu início a uma respiração compassada. Viu-se dentro de um “casulo azul”, imaginava o ar colorido entrando e saindo por suas vias aéreas liberando cada tensãozinha, cada chateação. Patrícia tentava ocupar seus pensamentos com esta ‘onda azul’ e, assim, impedir que a imagem e as palavras de Iara tomassem conta dela. De repente, o azul foi cedendo, e o lilás apareceu: ela não queria alimentar raiva, ou qualquer sentimento negativo. Sentia apenas necessidade de relaxar: “Respira, Patrícia... respira”... Não levou muito tempo até que o “casulo lilás” que a envolvia assumisse uma coloração cada vez mais clara. Logo que ela se viu envolta numa nuvenzinha branca, Morfeu a tomou nos braços. E foi graças a essa técnica que ela adormeceu e descansou o suficiente pra recomeçar, talvez, uma nova história pela manhã.
....................................................................................... Em sua cama, Cíntia também teve dificuldades para dormir. Entrara em casa há pouco mais de uma hora e, desse tempo, pelo menos meia hora ela já gastara tentando pegar no sono. O que a impedia era a penúltima frase de Patty antes de sair do café. A cabeça, sempre procurando evitar as armadilhas do sentimentalismo, dizia que ela não deveria dar atenção àquelas palavras ditas num momento em que Patrícia estava se sentindo abandonada e triste. O coração, porém, era menos sábio e mais apaixonado. Para ele, o que Patty dissera tinha um nome: esperança. A tentativa de hoje, de se divertir e talvez até engatar um outro romance, dando uma chance pra ela mesma e para outra pessoa, fora em vão. Mais uma vez, o seu corpo, sua pele e seu coração pediram Patrícia. Bem que Marilza tentara dar-lhe um beijo. Um único beijo. Mas seu corpo se retesou e Cíntia não conseguiu. Com Patrícia se sentia à vontade. A pele combinava. Os cheiros de seus corpos se complementavam, formando um perfume único. Ah, só Patty não via, não sentia, não percebia, nem se lembrava de como trazia o riso fácil nos olhos e no rosto, durante aquele curto período em que ela dera uma chance para o amor, quando elas ficaram juntas. Com esse pensamento sentiu-se relaxar, e o sono chegou. Mas ela ainda interrompeu sua chegada pra pensar: “Ah, amanhã de manhã pensarei um pouco mais em você, meu amor... Agora preciso dormir...” Desde que Patrícia rompera com ela, Cíntia não passava sequer um dia sem se lembrar daqueles momentos e tinha mais do que uma simples esperança de que um dia eles voltassem. O que ela alimentava era a convicção de que Patrícia precisava viver essa ilusão com Iara, mas certamente voltaria pra ela. Porque o seu amor era farto, forte e limpo.
Escrito por MariaN às 23h01
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Patrícia Capítulo 48 
Ao sair da casa de Patty, Iara foi diretamente a uma livraria para procurar o livro que Bia lhe indicara. A mulher que a atendeu na livraria lhe disse logo que o autor era um psiquiatra, Irvin D. Yalon, que insere conceitos dos grandes filósofos nos tratamentos terapêuticos. Ele ficou mundialmente conhecido por escrever de maneira romanceada as suas experiências na área da terapia e tal coisa, coisa e tal... Mas infelizmente todos os exemplares haviam se esgotado. Era uma mulher muito simpática e atenciosa, o que deixou Iara meio desconfiada de suas intenções, já que a mesma, ao invés de fazer a encomenda de acordo com o que Iara pedia, disse-lhe que ela poderia encontrá-lo lá no único sebo da cidade. Iara agradeceu pensando: “Essa não quer dar lucro para o patrão, por que é que ela não faz o que eu pedi, afinal?” Como se adivinhasse seu pensamento, Vânia, o nome estava bem visível no crachá, disse, sorridente: ––– Não pense que eu estou trabalhando contra a livraria, por favor... É que o sebo também pertence a nossa loja, e já descobrimos que, muitas vezes, é mais vantajoso pra todos, inclusive pra nós, que o cliente compre o exemplar que temos lá. Assim, não entupimos nosso estoque e damos a todos a oportunidade de comprar os livros. ––– Muito obrigada! Passo lá mais tarde, então... Só espero que o exemplar não esteja muito danificado – completou, sorrindo com simpatia para Vânia. ––– Não, não deve estar. Estarei lá após as 14h. Se você quiser, podemos verificar a conservação do livro juntas. Esta proposta acendeu ainda mais a luz da desconfiança em Iara, que pensou, evitando um sorriso maroto: “muito solícita e atenciosa... Humm, aí tem coisa.... Ela está praticamente marcando um encontro comigo.” De repente, Iara percebeu que estava gostando desse jogo. No entanto, ela não conseguia entender como aquela mulher podia se arriscar tanto. Será que ela não tinha medo de ser rechaçada? “Como é que ela sabe que pode falar assim comigo? Como ela pode saber se eu não vou dar-lhe um chega-pra-lá? Aonde foi que eu me denunciei, afinal?” A mulher continuava sorridente, sem tirar os olhos dos olhos de Iara, mas esta apenas agradeceu, dizendo que aceitava a sugestão e saiu de lá um bocado impressionada. Ela não tinha muita consciência disso, mas sentiu algo que sempre lhe inundava o corpo quando percebia que Patty a olhava com aquele olhar libidinoso. Iara saiu dali sentindo-se bonita, desejada... Mas com uma sensaçãozinha de culpa, afinal Patty sempre deixou claro que a desejava muito. Decidiu não dar atenção para o que acontecera. E também não foi ao sebo no horário que a mulher disse que estaria lá. Enquanto esperava a hora de pegar o filho no colégio, tomou um café ali perto da livraria e ligou para Vera. Prometera ao filho que a convidaria formalmente pra trabalhar com eles no sítio, e assim o fez. Vera gostou do convite e lhe disse que já pedira demissão há alguns dias. Agora só precisava cumprir o restante do aviso prévio e dentro de uma semana estaria livre. Disse também que não via o patrão desde ontem pela manhã, o que era um alívio. Iara se despediu dizendo que voltaria a ligar em poucos dias para marcarem a data certa em que ela iria buscá-la de mala e cuia. Pegou Rodrigo ao final das aulas e foi direto pra casa, onde permaneceu a tarde toda, cuidando de uma coisa e outra. Tarefas típicas de donas de casa. E assim, esperou a tarde toda que Patrícia ligasse. Como ela não o fez, Iara resolveu tomar a iniciativa. Além do problema recente, também sentia necessidade de esclarecer certos sentimentos que a estavam perturbando. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Por não se conformar com a maneira como Iara saíra de sua casa, Patrícia decidiu não procurá-la naquele mesmo dia. Na manhã seguinte, teria muitas novidades para administrar no escritório e não gostaria de chegar lá cansada ou com olhos inchados de chorar. “Sei que se ela continuar desconfiando de mim, vou me estressar tentando esclarecer... Melhor deixar essa conversa pra depois, porque lágrimas de uma briga de amor têm o incrível poder de nos deixar com os olhos inchados e cara de ressaca! E amanhã é dia de um novo recomeço! Tenho certeza disso!” pensou ela, antes de convidar a mãe pra ir com ela a uma loja. ––– Vamos comigo, mãe... Preciso comprar umas roupinhas novas, afinal volto ao trabalho amanhã e a ocasião merece um traje novo... ––– Tá bom, filha... Vou me trocar e já venho.. ––– Ah, nem precisa, mãe... Tu estás linda assim... – respondeu Patty sorrindo. Mas dona Marta nem ouviu, porque já havia entrado no seu quarto. Logo estavam fora de casa, a caminho do Shopping. Dona Marta ainda tentou falar a respeito de Iara, perguntando: ––– Patty, como é que você vai resolver esta situação com a Iara? Parece que foi bem sério o que aconteceu entre vocês naquela hora... Patty apenas deu de ombros, e ela achou melhor não insistir. Passaram a tarde no shopping, entre compras, cineminha e lanche... Em determinado momento, Patty até pediu desculpas à mãe, por não terem feito nada de especial durante as férias... Dona Marta lembrou-a de que ela tinha passado o tempo todo envolvida com Iara, por isso não fizeram sequer um passeio pelos arredores. Uma pontinha de culpa atingiu Patty, mas logo elas se desculparam, e tudo ficou bem. Estava anoitecendo quando saíram dali. E só então, ao ouvir um bip do celular já saindo do burburinho típico de shoppings, foi que Patty viu que Iara ligara várias vezes. Resolveu retornar, mesmo sabendo que não estava muito disposta a enfrentar uma longa conversa. ––– Oi, Iara... Só agora percebi que você ligou, porque eu estava no shopping com minha mãe. (...) Pode ser, sim, mas não pretendo voltar pra casa muito tarde, afinal volto ao trabalho amanhã. (...) Sim, deixarei minha mãe em casa antes e... (...) Claro, chego lá antes das oito. (...) Outro pra você... ––– Patty, evite sofrimentos desnecessários, por favor. Veja se é mesmo com essa moça que está o seu futuro, porque a gente é muito infeliz quando vive com alguém que não confia na gente. ––– Pode deixar, mãe, que eu vou me cuidar. Rapidinho ela entrou em casa, tomou banho, se trocou e foi ao encontro de Iara. Já estivera naquele café no centro da cidade antes. Era muito bem freqüentado, e achar uma vaga pra estacionar foi complicado. Assim que Patty entrou no café, avistou Iara numa mesa de canto e Cíntia, de costas pra porta e acompanhada, na outra ponta. Fingiu que não viu, porque Iara a vigiava de longe, e foi até ela. ––– Oi, Iara... ––– Você já viu sua amiguinha ali? Parece estar bem distraída... e bem acompanhada, né? – foi com essa resposta um tanto quanto irônica que Iara respondeu ao cumprimento de Patrícia. Assim, sem tirar os olhos de Cíntia. ––– Sim, eu a vi, mas quem escolheu o lugar foi você. Portanto, isso me exime de culpa. – respondeu Patrícia, secamente. ––– Como se não bastasse vocês terem passado a noite juntas! Estou começando a achar que morar numa cidade pequena não é assim tão bom, quanto eu acreditava antes... ––– Só porque a Cíntia freqüenta os mesmos lugares que você? Qual é o seu problema, Iara? Com a proximidade da garçonete, Iara não respondeu na hora. - Fizeram os pedidos: pra beber, café cremoso pra Patrícia e suco de laranja pra Iara; e pra comer, deliciosos pães de queijo. ––– Eu não tenho nenhum problema, Patty. Quero saber dos nossos problemas... Tem alguma idéia de como vamos resolvê-los? Depois de pensar algum tempo, Patrícia começou a falar: ––– A única que tem problemas aqui é você. Eu estou tranquila. A minha tranquilidade vem do fato de eu estar me cansando de ter que me explicar sempre pra você. Não há um só dia, em que eu não precise, também, pedir desculpas por alguma coisa que tenha te chateado. ––– Eu não exijo tantas justificativas assim, Patty! Não exagere! E, se você está cansada de conviver comigo, fique à vontade pra seguir sua vida! - alterou-se Iara. ––– Então é assim? Bom saber que você não faz questão de lutar por mim e nem por nosso amor! Você entrega os pontos muito rápido, Iara! – Patty fazia um esforço enorme pra não gritar ali, mas silenciosamente agradeceu a Iara por ter escolhido um local tão cheio de gente. Mais uma vez foram interrompidas pela chegada da atendente. Mas assim que ela virou as costas, elas recomeçaram. Iara baixou ainda mais a voz ao dizer: ––– Não fui eu quem passou a noite com a ex num hotel em outra cidade. Imediatamente Patty abriu a bolsa e tirou de lá uma nota de serviço. Mostrando a Iara, ela disse: ––– Olha, eu trouxe isso por acaso. Jamais imaginei que precisasse te dar provas da minha fidelidade! Iara pegou a nota do hotel onde estavam especificados a prestação de serviço de dois apartamentos solteiro simples, preço unitário e valor total embaixo. Antes que ela pudesse fazer qualquer comentário, Patty foi dizendo: ––– Eu estou com esta nota, porque fiz questão de pagar a despesa da Cíntia, já que ao tentar me defender para o seu ex-marido, numa conversa em que ele tentou suborná-la, ela acabou pedindo demissão. Por pouco, o tom irônico usado por Iara na resposta não foi ouvido em todo o salão: ––– Ah, quer dizer que você apenas apoiou o lindo gesto dela? Afinal, ela te deu uma prova de amor, ao se sacrificar pra te defender, não foi? ––– Não seja tão insensível, Iara! Vamos fazer o seguinte: vá pra casa pensar em tudo isso. Talvez você ainda tenha tempo pra se arrepender dos absurdos que acabou de dizer... Quanto a mim, vou procurar alguém menos estressado pra conversar... ––– Isso! Vai correndo tirar sua princesa dos braços da outra lá... Vai! Apesar de ter feito o movimento pra se levantar, Patty acabou ficando sozinha na mesa, porque Iara terminou esta frase já se levantando e saindo, sem olhar pra trás.
Escrito por MariaN às 22h42
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