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Patrícia Capítulo 51 
Iara acordou pela manhã com uma terrível dor de cabeça. Fazendo um enorme esforço, conseguiu levar o filho para a escola, mas voltou em seguida e se jogou na cama. Ali, de olhos fechados, mas sem querer dormir de novo, pôs-se a pensar no que acontecera no dia anterior. Muitas imagens vieram à sua lembrança, mas a que se sobressaiu foi a daquela mulher da livraria. “Como pode? Essa crise toda com Patrícia e o que mais me vem à mente é o rosto de Vânia... Muito estranho...” Durante algum tempo analisou a briga com Patrícia. Certamente Patty estava errada, “afinal, eu sou a namorada dela” e “onde já se viu levar a ex para uma reunião de trabalho e achar isso normal?”... “Acho que vou lá naquele sebo... Será que Vânia está sempre lá à tarde? Bom, vou arriscar...” e, com esses pensamentos, a manhã foi passando. Já passava das dez horas da manhã, quando ela resolveu sair da cama. Ligou para Vera: ––– Vera, me desculpa não ter ligado mais cedo... Já falou com o Hélio que está mesmo decidida a sair daí? ––– Mas eu falei pra senhora que ele já ‘tá’ sabendo que saio no final dessa semana... Agora, a senhora precisa saber de uma coisa... ––– O que é? – perguntou Iara, curiosa. ––– Ele me pediu pra arrumar a mala dele. Disse que vai passar muitos dias fora... Vai até acertar as contas comigo antes da viagem. ––– Estranho... Ele nem ligou pro Rodrigo pra se despedir... Talvez ainda faça isso... Você sabe se ele vai demorar muito e pra onde ele vai? ––– Ah, isso eu não sei, dona Iara... Agora é melhor eu desligar, porque ele está me chamando lá dentro. –––Tá bom, Vera. Qualquer novidade você me liga. Um abraço! E Iara entregou-se aos pensamentos. Assumiu meio a contragosto que o seu maior problema era o medo. Medo de não corresponder ao amor de Patty. Mas, antes desse, havia o outro que era o medo de acreditar no amor de Patrícia. Ou em qualquer amor. E não era uma questão de amor-próprio e sim, de desconfiança em qualquer tipo de sentimento. Por isso questionou-se também quanto ao seu próprio sentimento pela morena. “Será que isso é amor, ou apenas me agarrei a ela como um meio de não voltar atrás na decisão do divórcio?” Talvez apenas não tivesse sabido a diferença entre amor e deslumbramento. Tudo na sua vida sempre fora tão de acordo com o esperado por todos!.... Era força do hábito. Hoje, conscientemente, ela começava a entender que era uma delícia viver aqueles momentos íntimos com Patty. Mas era só isso. “Ah, também é reconfortante perceber em seus olhos o olhar da paixão genuína, e sua carinha de feliz quando recebia atenção”. Muitas vezes isto lhe custava um pouco, porque já passara tanto tempo se esforçando para transmitir essa sensação de mulher satisfeita para Hélio, que ainda não sabia fazer diferente. Também desconhecia os seus limites para reviver e suportar uma situação idêntica. “Tudo bem que Patty nunca me exige nada, eu é que me sinto na obrigação de retribuir!” Não era de propósito que não agia de modo diferente quando estava ao seu lado: ela só sabia agir assim! Lembrou-se das cenas de ciúme no dia anterior e sentiu-se um pouco envergonhada. “Aquilo não era atitude de uma mulher madura! Devo deixar Patrícia cuidar da sua vida da forma que ela quiser. Vou passar um tempo sem ligar, só pra ver o que sinto. Enquanto isso, eu vou atrás daquele livro.... ou de outro que possa me ajudar a compreender o que acontece comigo... Sei lá... Vou sair por aí... Será que isso é uma desculpa que estou arrumando pra me encontrar com aquela moça, Vânia?” De repente, com muita nitidez, vieram-lhe à memória as palavras de Bia: “Iara, há pelo menos duas perguntas que você não pode deixar de se fazer sobre os rumos que você quer dar para a sua vida. E nem é preciso estudar psicologia pra saber disso. Você disse que a Patrícia está a ponto de mudar toda a vida dela pra ficar com você, não é? Então, pegue um pedaço de papel, escreva as perguntas, pense e responda. Uma delas é: “Até que ponto EU pretendo mudar meus hábitos e minha vida pra ficar com Patrícia”? E, com base nesta determinação dela, tente inverter os papeis, se perguntando também: “Quais são os MEUS planos?...” A lembrança desta conversa a fez dar um sobressalto, porque descobriu, de repente, que se a situação fosse inversa e ela tivesse que mudar tudo na sua vida só para ficar com Patrícia, não mudaria nada. “Já mudei minha vida o suficiente: mudei o estado civil acabando com um casamento que me fazia infeliz. Agora, não quero as amarras de outra relação tão cedo”. Ao pensar assim, ela se deu conta da besteira que poderia fazer consigo mesma e com Patty. “E agora? O que devo fazer? Preciso falar com Patrícia... Como vai ser? Qual será a reação dela?”... Cansada de tantas hipóteses e conjeturas, ela sacudiu a cabeça para relaxar. “Tenho que pensar nisso agora? Não, tenho muito que fazer. Depois resolvo...” Tentou mais uma vez fugir de tudo o que pudesse lhe trazer as respostas. O pretexto nesse momento eram as tarefas que lhe esperavam. Percebeu que poderia, sim, analisar tudo isso enquanto fazia o que precisava, porque não teria que elaborar nada, apenas executar manobras mecânicas, como cuidar de alguns detalhes domésticos e buscar o filho na escola. Almoçaria fora com ele e o deixaria depois no curso de inglês. Ou seja, nada disso poderia impedi-la de pensar. Tomada a decisão, ela saiu do quarto e foi resolver as coisas do dia a dia que não poderiam ser adiadas. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Enquanto isso, na reunião, após alguns minutos de acertos técnicos, o doutor Salles dava a entender que chegava ao ponto a que todos aguardavam: ––– Bom, já deixei claro pra vocês tudo o que nossos empregadores desejam de nós, empregados, não importando a nossa função. Eles querem produtividade e bons resultados. São objetivos que só podem ser alcançados se cada um dos integrantes da equipe estiver afiado e for merecedor da confiança do seu colega do lado. Todos juntos formamos e alavancamos esta empresa. Portanto, não há ninguém mais ou menos importante do que o outro. E é o que esperamos de cada um de vocês aqui também: que se respeitem e se dediquem a montar um verdadeiro time de campeões. Aquele que, porventura achar que não pode trabalhar desta forma, avise logo.... Vocês sabem também que em qualquer empresa há os funcionários que sonham alto, que querem investir para ir cada vez mais longe, muitas vezes até o topo; e há aqueles que apenas anseiam pelo fim do mês, para receber o salário e nada mais. Falando em nome da empresa, quero deixar claro que nós valorizamos mais os sonhadores ambiciosos e de pé no chão. Que levam o trabalho a sério, mas trabalham com alegria e respeito... Os quatro olhavam pra ele com admiração. Mas já demonstravam um pouco de cansaço. E ele continuou: ––– Portanto, não será surpresa para nenhum de vocês o nome da pessoa escolhida para comandar este escritório de hoje em diante. Essa moça que saiu da faculdade diretamente para este escritório. Começou como estagiária e agora, nesse momento, assume a chefia e a responsabilidade por tudo o que acontecer aqui. Ele fez um suspense calculado, porque Patrícia e Cíntia começaram assim, mas em épocas diferentes. Ambas foram efetivadas depois do período de estágio. Olhou para cada um de seus interlocutores e, finalmente, disse ao pousar seu olhar sobre ela: ––– Seja bem-vinda a esse mundo louco de úlceras, infartos e estresses constantes, Patrícia! Doutor Salles sorria e olhava-os, admirando a reação deles. Por isso notou que Érica não sorriu, muito pelo contrário: fez cara de quem não gostou, mas se conformava com o desfecho. Quanto à Patrícia, uma sensação de vitória a invadiu, e ela soube então que todo o restante dos seus planos amorosos deveria ser esquecido indefinidamente. Doutor Salles se levantou para parabenizá-la com um aperto de mão, o que abriu precedentes para que todos fizessem o mesmo. E quando Cíntia veio em sua direção, Patty viu alegria em seus olhos e automaticamente se levantou para receber o abraço. Imediatamente Vítor se aproximou e também a abraçou desejando sorte. Érica apenas sorriu e, de longe mesmo, disse: ––– Parabéns... Apesar da emoção que a assaltava, ela recuperou-se rapidamente e voltou a se sentar: ––– Obrigada pela confiança, doutor Salles! Eu me empenharei ao máximo para devolver o posto e o escritório com o mínimo de pendências, quando doutor Santiago voltar. ––– É muito bom saber disso, mas talvez você não consiga fazer isso, Patrícia. As coisas não são tão simples assim... Ela o interrompeu: ––– Mas... Eu não estou entendendo... – Patty começou a gaguejar – o senhor acabou de me dizer que sou a substituta do doutor Santiago, mas não me acha capaz de devolver-lhe o cargo com tudo em ordem? ––– Calma, Patty... Espere o doutor Salles concluir. Era Cíntia que, de tão acostumada a lidar com a ansiedade de Patty, sabia usar o tom de voz que a acalmava. Doutor Salles sorriu outra vez e, com um gesto de cabeça, agradeceu a intervenção de Cíntia. Usando um tom solene ele anunciou: ––– Devo informar aos senhores que o doutor Santiago não voltará a este escritório. Ele mesmo nos solicitou uma transferência para outro local. Então, atendendo a este pedido, ele será o nosso titular na cidade de Rio Sem Fim. É isso, pessoal. Agora, precisamos fazer alguns ajustes, Patrícia. Voltando seu olhar para os estagiários, ele continuou: ––– Agradeço a presença de vocês e conto com todo o apoio à doutora Patrícia. Antes, porém, vocês todos precisam saber que, na ausência de Patrícia, Cíntia assumirá o escritório. Seja em que situação for. Agora, podem ir cuidar de seus afazeres. Cíntia corou e agradeceu: ––– Muito obrigada pela confiança, doutor! ––– Não precisa agradecer. Sabemos que vocês formam uma boa dupla! – ele sorria ao dizer isto. Quando Cíntia se levantou para sair, juntamente com Érica e Vítor, ele disse: ––– Precisamos de você aqui, Cíntia. Por favor, sente-se. Patrícia sentiu que ficava, de novo, emocionada. Disfarçou e continuou a reunião com o doutor Salles. Agora como chefe do escritório. Ao chegar à sua mesa, Érica praticamente voou para sua bolsa e pegou o celular. Mesmo tentando falar baixo, Vítor conseguiu ouvir a aspereza de sua voz quando ela falou com a pessoa do outro lado: ––– Sou eu! (...) Foi tudo bem, mais ou menos como você falou que seria. Só que você mentiu pra mim! (...) Mas por que você não me disse que esta situação é definitiva? (...) Não, em nenhum momento você me disse que não voltaria! (...) Sim, eu sei terei que recomeçar tudo!! Fui uma idiota por confiar em você! (...) E quem te disse que quero me mudar daqui? (...) Não adianta! Depois a gente se fala. Tchau! Com a cabeça entre as mãos e os cotovelos apoiados sobre a mesa, ela quase chorou de arrependimento. Afinal, ela confiou que com a aproximação entre Santiago e ela, a sua efetivação estaria garantida quando acabasse o estágio. E agora? Havia se desentendido com Patrícia e nunca fora com a cara de Cíntia. “Droga! Droga!” – pensou enquanto procurava se concentrar no trabalho. Agora estava nas mãos de Patrícia. Nada mais a fazer.
Escrito por MariaN às 23h57
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Patrícia Capítulo 50 
Patty acordou animada e feliz. Cantarolou no banho, vestiu-se com esmero, sorridente ela tomou café com a mãe e saiu em seguida para o trabalho.Coincidentemente, ela e Cíntia estacionaram ao mesmo tempo em frente ao prédio. Era preciso chegar cedo todos os dias, justamente por causa do problema de vagas pra estacionar. “E há quem pense que quem tem carro pode dormir até mais tarde! Ledo engano!” Pensou Cíntia. Patrícia, aparentando uma leveza que há muito tempo Cíntia não via , cumprimentou-a com um beijo no rosto e subiram muito próximas uma da outra. Praticamente se roçando, daquele jeito assim, quase sem querer.Dentro do elevador, Cíntia não resistiu e, tentando parecer indiferente, elogiou Patty: ––– Legal tua roupa nova... Você ficou muito bem! A verdade é que ela achou Patty linda, mas evitou dizer tão claramente. E ela estava mesmo muito bonita. O conjunto que usava, na cor verde-bebê, formado por uma calça com corte clássico e um casaquinho que marcava a cintura, eram muito bem assessorados por uma blusinha branca e um lenço cinza-prateado no pescoço, pra combinar com a sandália de salto alto com detalhes prateados. Sim, ela brilhava, e Cíntia notou que havia algo diferente, intrigante talvez, (ou seria sugestivo?) nos olhares que ela lhe dirigia. Patrícia apenas sorriu com o elogio, porque o elevador já parava no andar delas. Cíntia abriu a porta e fez sinal com a mão pra que Patty entrasse antes dela, dizendo: ––– Seja bem-vinda de volta ao lugar que te pertence por mérito! E continue contando comigo aqui dentro! “Só aqui dentro?”, pensou Patrícia. Mas limitou-se a agradecer, simplesmente. ––– Muito obrigada, Cín... Nós sabemos que se não fosse você e sua presença de espírito, eu talvez nem estivesse aqui hoje. ––– A verdade sempre prevalece, Patty! Portanto, de qualquer forma, você estaria aqui hoje, sim. O que me importa é saber que ele não conseguiu te atingir tão profundamente como gostaria e... Nesse momento, a palavra foi cortada pela entrada de Érica na sala. ––– Bom dia! – disse e se dirigiu ao banheiro. Voltou em menos de um minuto, sentou-se à sua mesa e abriu uma pasta. Deixou claro que não queria saber de conversa. Cíntia e Patrícia trocaram um olhar e nada disseram. Patty aproximou-se de sua escrivaninha e, por força do hábito, levou a mão rumo ao pequeno puxador da gaveta. Como não conseguiu, lembrou-se do ocorrido e ficou quieta, pensando: “E agora? Será que terei de chamar o chaveiro de novo pra abrir e trocar a fechadura? Ao olhar pra Cíntia, esta lhe respondeu, com seriedade, como se tivesse ouvido o seu pensamento: ––– Vamos ter que chamar um chaveiro, Patty... ––– Sim. E pretendo fazer isso ainda hoje. Até as nove horas da manhã ficaram ali, disfarçando a ansiedade. Sabiam que logo chegaria o pessoal da capital. Elas aguardavam sem sequer imaginar que tipo de mudança poderia ocorrer ali. Não conversaram a respeito, mas acreditavam que durante aqueles dias de licença do doutor Santiago, elas teriam mais responsabilidade. Apenas isso. “A princípio, os estagiários não sabem de nada,” pensava Patrícia. “Bom, a Érica com essa cara de sonsa, talvez saiba que ele saiu de licença e só.” O rapaz, Vítor, pra variar, estava atrasado. “Espero que ele chegue antes dos chefes”, pensou Cíntia enquanto, pela milionésima vez abria e fechava a bolsa. “Tenho que parar com essa mania! Sempre faço isso quando fico agitada ou nervosa... ou qualquer coisa... e a Patrícia que não para de me olhar, hein! O que será que ela tanto pensa?”, perguntou-se ela, disfarçando um risinho esperançoso. Nesse instante entrou Vítor, todo desajeitado, com a mochila aberta, pedindo desculpas pelo atraso. Elas apenas responderam ao seu ‘bom dia’, sem nenhum comentário a respeito do atraso. Ele mal pendurou a mochila nas costas da cadeira - de um jeito que Patty detestava – e doutor Salles entrou. Érica levantou-se rapidamente, o que levou Patty a ter certeza de que ela já sabia de alguma coisa, e cumprimentou-o: ––– Pois não, senhor! Em que posso ajudá-lo? Ele a olhou de cima a baixo e respondeu: ––– Bom dia, minha jovem! Qual é o seu nome? ––– Érica, senhor. ––– Pois muito bem, Érica, traga-nos água e café aqui na outra sala. Surpreendentemente, ela agiu de forma natural, como se já esperasse por isso. E, enquanto seguia para a sala de Santiago, olhou ao seu redor e, fazendo um gesto com a cabeça, cumprimentou as outras pessoas presentes: ––– Bom dia, meu rapaz! – Vítor apenas meneou a cabeça. Na sua distração constante, ele sequer sabia que mudanças estavam acontecendo ali. E doutor Salles continuou: ––– Patrícia. Cíntia. Como passaram de ontem? Como quase sempre, elas responderam ao mesmo tempo: ––– Muito bem, e o senhor? Ele não respondeu. Fez sinal para que elas o seguissem e entrou na sala. Sentou-se, gesticulou no sentido de que elas fizessem o mesmo e falou: ––– Bom, como a Patrícia estava de férias, vai sobrar pra você, Cíntia, me deixar a par do estava acontecendo aqui nesses últimos dias. ––– Pois não, doutor – respondeu Cíntia com segurança. ––– Quero saber em que pé andam todos os processos, mas principalmente sobre as negociações referentes à construção do novo laboratório em Rio Sem Fim. ––– Sim, acredito que vamos conseguir a liberação da obra. O herdeiro que tentou interditá-la indefinidamente acabou concordando com o acordo proposto, já que seu pai, antes de morrer, recebeu cinqüenta por cento do valor da venda... Bom, no penúltimo dia em que dei expediente aqui, recebemos um comunicado do nosso contato no fórum de lá... Um momento, que vou pedir a Vítor para trazê-lo aqui. ––– Ainda não está no sistema? – perguntou ele, demonstrando certa contrariedade. ––– Vou averiguar isto também – disse Cíntia, saindo em seguida. Quase deu um encontrão em Érica, que trazia café e água, como foi pedido. Ela deixou a bandeja sobre a mesinha próxima a Salles e saiu calada. Ele mesmo se serviu e Patrícia o acompanhou, apesar de evitar tomar o café em exageros, ela sempre caía em tentação. Estava ela nesta função de se servir, quando Cíntia entrou de volta com um papel na mão. ––– Aceita um café, Cíntia? – perguntou Patty disposta a servi-la. ––– Sim, obrigada! – e retomou o assunto olhando diretamente pra o chefe – Aqui está. Eu mesma trouxe. Nosso estagiário está atolado em trabalho, doutor Salles, por isso não consegue atualizar todos os dados com a presteza ideal. ––– Muito bem, vamos ver em que pé estão as negociações... Depois de alguns momentos analisando os papéis que tinha em mãos, ele falou: ––– Vejo que a obra está praticamente no ponto para iniciar o acabamento... Eu sugiro, Patrícia, que você vá até lá resolver esta questão de perto. O que você me diz? ––– Sim, claro! Nós nunca fizemos esse trabalho aqui. Quem sempre cuidava dessa parte, quando se tratava de viagens e negociações, era o doutor Santiago. Vou estudar essa papelada e ver o melhor dia pra ir até lá. ––– Mas antes, entre em contato com o pessoal da obra lá e tente ir o mais rápido possível. Ele concordou e, se jogando um pouco pra trás, na cadeira, começou o assunto que o trouxera ali. ––– Bem, moças, então... estão mesmo com disposição para dar início a uma nova era nesse escritório? Sei que vocês trabalham bem em conjunto, e o Santiago vai ficar afastado por um bom tempo. Quero que vocês cuidem de tudo aqui se reportando diretamente a mim, daqui pra frente. ––– Ótimo! Sinto que o ambiente vai melhorar muito aqui – disse Cíntia se referindo ao fato de não estar mais subordinada ao Hélio. ––– O que não significa que a próxima pessoa a ocupar esta cadeira daqui pra frente seja menos exigente em matéria de trabalho, você não acha, Patrícia? ––– Seja quem for esta pessoa, doutor Salles, nós faremos o possível, e até mais que isso, para que a qualidade do nosso trabalho não seja prejudicada. ––– Muito bem. Então, vamos oficializar as mudanças... Cíntia, por favor, vá até lá fora e chame os estagiários. Só uma pergunta, Patrícia... Vocês têm intenção de efetivar um deles, ou os dois no escritório? Antes que Patrícia pudesse responder, ele lhe fez um sinal, dizendo: ––– Apenas pense a respeito! – e, olhando pra Cíntia que ficara quieta, esperando o fim deste diálogo para ir cumprir a ordem que recebera, indicou-lhe a porta. Ela entendeu e saiu. Em menos de um minuto ela retornou. Érica e Vítor entraram logo atrás. Érica, toda sorridente, se postou ao lado de Patrícia; Vítor ficou de pé, perto de Cíntia. Doutor Salles, não gostou dessa arrumação desajeitada: ––– Por favor, rapaz, pegue cadeiras para vocês dois e se sentem de forma decente – falou de forma incontestável, porém, com suavidade na voz. Em alguns minutos tudo estava a contento e ele iniciou a reunião.
Escrito por MariaN às 23h10
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