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Conto de Meninas - UOL Blog



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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese



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Conto de Meninas


 

Patrícia

Capítulo 69

Naqueles dias, Iara vivia uma experiência absolutamente nova. Jamais havia ficado tanto tempo sem ver o filho. Rodrigo havia ido passar uma semana com Hélio, na capital, onde ele dava expediente enquanto aguardava a abertura do seu novo escritório. Para não ter que pegar a estrada todas as noites, Hélio se hospedou num pequeno flat bem perto do escritório central. No terceiro dia juntos, ambos estavam esgotados. Ele não sabia como cuidar de uma criança: tratava o filho como um pequeno adulto. E esse método não estava funcionando. Rodrigo, por seu lado, também não tinha muita liberdade, nem intimidade com o pai. Sempre ficava meio sem graça quando passava muito tempo com ele. A solução que encontraram foi alugarem vários filmes e jogos de vídeo game. Assim, Hélio chegava do trabalho e ia tomar seu uísque vendo o telejornal no quarto, enquanto Rodrigo continuava jogando sem parar, louco pra chegar logo o dia de voltar pra casa da mãe. Esta, por sua vez, aproveitaria para ficar algum tempo com Vânia, já que não precisava se preocupar com ‘explicações” para Rodrigo. Bem cedo, no segundo dia sem o filho em casa, Iara pegou uma sacola, botou algumas roupas dentro e avisou:
––– Pai, eu vou ficar alguns dias na cidade. Todas as manhãs eu vou freqüentar aquele curso que te falei e também quero ficar um pouco só.
––– Iara, a cidade fica a poucos minutos daqui. Você não tem necessidade de ficar lá durante tantas noites se o que vai resolver é só durante o dia. Mas tudo bem. Você é bem grandinha e sabe o que faz.
––– É verdade, pai! Eu sou bem grandinha, e já que meu filho está passando alguns dias com o pai dele, não há nada de errado se eu também mudar de ares um pouco. Pode deixar que eu ligo diariamente pro senhor.
Deu um beijo nele e se foi para a casa de Vânia. Elas haviam conversado sobre isso há alguns dias, e a idéia de ter Iara em casa, dormindo e acordando ao seu lado por mais tempo, era bem agradável. Apesar de não planejarem morar juntas, passar um tempo se curtindo seria muito bom. Ela foi logo de manhã. Um pouco antes de chegar, ela parou numa floricultura e comprou flores para dar um colorido à casa. Estava bastante alegre por fazer esta surpresa pra Vânia. Já não se viam há duas noites e Iara estava cheia de saudade. Mas, como o coração volúvel de uma delas acabaria por pregar-lhes uma peça, este momento chegou. Na verdade, elas contaram com uma bela ajuda de Rosa, que jamais deixara de perturbar Vânia.
Em uma dessas suas idas e vindas de tentação, Vânia não resistiu, e Rosa dormiu com ela. De manhã, Vânia fez o café, tomou seu banho e foi trabalhar pensando que logo mais teria de conversar com Rosa sobre o acontecido. Esta noite de amor não significava um resgate da relação. Ela fraquejara diante da velha máxima de que a carne é fraca e, se bem conhecia Rosa, com isso tinha arrumado uma bela confusão pra sua vida. Rosangela não iria encarar a situação desta forma. Ao entrar no quarto para pegar sua bolsa, Vânia ainda olhou para Rosa e não pôde deixar de sorrir ao ver como ela dormia tranquilamente na sua cama. Ainda sorrindo, encostou a porta e foi para o trabalho.

Algum tempo depois que ela saiu, Iara entrou. E entrou com ares de dona da casa. Afinal, a essa altura, ela já tinha a cópia da chave da casa. Na noite anterior haviam combinado que almoçariam juntas, porque ela tinha um compromisso na cidade, pela manhã. Por isso, num primeiro momento ela apenas deixaria sua ‘mala’ e iria para a sua primeira aula de um curso oferecido pelo SEBRAE para pessoas que precisavam de apoio e de algum conhecimento sobre os meandros de uma empresa. Depois de muito pesquisar, havia se decidido por uma loja multifuncional com “lan house”, locadora e salão de beleza. Apesar das velhas desavenças, Hélio a ajudava na parte jurídica. Ele havia se conformado definitivamente com o fim do casamento e esporadicamente até saía com uma ou outra mulher. Mas, voltando ao assunto: ela entrou, escolheu um canto da sala, onde deixou sua mala e foi à cozinha. Tomou um pouco de café e, em seguida, abriu a geladeira, pra ver se precisava comprar algumas coisas para os dias em que ficaria ali. Anotou alguns itens no papel que pegou de um bloco pendurado por um imã na porta da geladeira e dirigiu-se ao quarto para guardar a bolsa.

Estancou e perdeu o chão ao ver aquela mulher deitada de maneira tão lânguida na cama de sua namorada! Da porta mesmo, virou as costas e saiu. Já na sala, ainda tentando se refazer do choque, sentou-se no sofá e ficou pensando no que fazer a respeito dessa novidade. Talvez a melhor atitude fosse ir até o local de trabalho de Vânia para tomar satisfação. Ou apenas para dizer que lhe dera um flagrante ao chegar mais cedo e num horário que ela não esperava. Estava sem ação e sentia seus olhos cheios de lágrimas, mesmo que não estivesse chorando. Seria apenas uma reação natural do seu corpo diante do inusitado da situação? Não tinha a resposta. Não soube por quanto tempo ficou ali, paralisada. De repente, ouviu passos e se retesou ainda mais no sofá. Em segundos, Rosangela apareceu toda sorridente e faceira, passando as mãos pelos cabelos e pelos olhos, quase cantarolando. Usava apenas calcinha e camiseta e sua intenção era a de ir à cozinha para tomar o café que Vânia havia passado antes de sair. E esse era um hábito de Vânia que Rosa lembrava muito bem. Foi então que ela deu de cara com Iara. Ela estava sentada no sofá, com as mãos cruzadas sobre as pernas, olhando fixamente para ela. Com cara de espanto, ela fuzilou Iara enquanto perguntava aos gritos:
––– Quem é você? E como foi que entrou aqui?
Iara ficou parada, sem reação. E isto facilitou a vida de Rosa, porque como se tivesse tido uma grande idéia, ela sorriu, se desculpando – Ah, você deve ser a diarista... Desculpa se atrasei o início do seu serviço... Eu não sabia que era seu dia hoje. A Vânia não me falou nada...
Mais uma vez Iara sentiu o chão se abrindo aos seus pés ao ouvir tais palavras. Reagiu, partindo pra cima de Rosa, com toda sua fúria:
––– Sua imbecil, safada e aproveitadora! Vocês dormiram juntas! Eu vi você na cama dela! – gritava e tentava esbofetear Rosa, que se esquivava, interceptando os ataques com os braços. Com um safanão ela jogou Iara de volta no sofá.
––– Hei! Qual é tua, mulher? Já sei! Você deve ser a ex-namorada da Vânia, não é? Pois acabou, sua idiota! Ela voltou pra mim! Pode esquecer! Vá embora daqui, porque desta vez eu vim pra ficar!
Iara se amaldiçoou enquanto se levantava, ajeitava os cabelos e saía da casa de Vânia, dizendo pra si mesma o quanto fora tola ao se deixar envolver assim!
Não resistiu e foi até a livraria. Ao vê-la entrar, Vânia foi ao seu encontro sorrindo.
––– Que surpresa boa! Que delícia te ver aqui logo cedo!
Iara sentiu seu rosto inchar diante da falsidade de Vânia, mas ainda conseguiu falar bem baixinho:
––– Deixa de ser cínica, Vânia!
––– O que é isso, Iara? Recebo você com carinho e é assim que você reage?
––– Estou vindo da tua casa... Preciso dizer mais alguma coisa?
Nessa hora, Vânia baixou os olhos e a chamou:
––– Vem comigo! Vamos conversar.. Não é nada disso que você está pensando...
Isso era um convite para que Iara a acompanhasse até o pequeno escritório. Só que Iara sequer ouviu.
––– Não é mesmo: é muito pior! Eu a vi deitada na tua cama, Vânia! Eu não preciso ouvir mais nada! Só vim aqui para olhar nos seus olhos... Que decepção!
Dizendo isso, ela saiu dali, sem dar outra chance a Vânia de se explicar, e passou horas andando pela cidade.
Nos três dias seguintes ela só saiu de casa para ir ao curso. No quarto dia ela fez algumas comprinhas para o Natal. Comprou presentes para o pai, para Vera e para Rodrigo, que chegaria logo mais. Sentia falta de Vânia, mas estava magoada. Lembrou de Patrícia e se arrependeu por não tê-la apoiado quando ela precisou.

E Vânia precisou de dois dias para despachar Rosa. E mesmo assim, depois de muita discussão. Quando finalmente viu Rosa saindo da sua casa, Vânia prometeu a si mesma que jamais cederia aos seus encantos novamente, caso ela reaparecesse. A essa altura, o estrago já estava feito e agora teria que suar muito pra reconquistar Iara.

 



Escrito por MariaN às 09h26
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