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Conto de Meninas - UOL Blog



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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese



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Conto de Meninas


Patrícia

Capítulo 72

Atendendo a um pedido do senhor Alcides, neste Natal não houve a tradicional ceia Natalina na noite do dia 24. Ele alegou que não suportaria a lembrança da mulher que, em ocasiões assim, fazia questão de cuidar de cada detalhe. Por isso, naquela noite, o jantar transcorreu de forma quase rotineira. Havia um ou outro enfeitezinho de Natal na mesa, mas jantaram cedo e logo foram para cama.
Agora, já no final da manhã do dia 25, Iara cuidava dos últimos preparativos para o almoço de Natal, com a ajuda da mulher de um dos funcionários do sítio. A mesma que a ajudava antes de Vera vir trabalhar com ela. Estava se servindo de um refrescante “suco de cevada” quando foi interrompida por Vera que, como convidada, acabara de chegar com seu filho de oito anos.
––– Eu queria ter vindo mais cedo, pra ajudar a senhora, dona Iara, mas a farra lá na casa da minha mãe foi até muito tarde e acabei dormindo demais...
––– Ah, não tem importância, Vera. Hoje você é nossa convidada e, além do mais, antes de ir embora anteontem, você deixou tudo praticamente pronto pra mim. Hoje foi só colocar no forno e cuidar das saladas... Leve seu filho lá pra conhecer o Rodrigo e volte aqui pra gente tomar um aperitivo juntas, antes de servirmos o almoço...
––– Tá bom, então...
Vera saiu, e Iara ficou pensando no quanto gostaria de ter uma companhia feminina no almoço de hoje. Mas não se referia a qualquer pessoa do gênero feminino. Lembrou-se de Patrícia e logo aquietou-se, porque ela estava fora de questão. “E Vânia... Bom, Vânia aprontou feio comigo. Não vou perdoar nunca! Será que minha sina é ficar sozinha? Não, não posso desanimar, porque afinal só conheci essas duas mulheres... por enquanto... Acho que ainda tenho muito chão pra caminhar até encontrar a mulher ideal... Aquela que vai me fazer feliz... Sim, porque eu quero ser feliz... Nesse ritmo, acho que vou ter que investir pesado e tentar conquistar a Vera... Acho que é minha última alternativa...”
––– Dona Iara... Dona Iara... Dona Iara...
Vera chamou 3 vezes até que ela voltasse do drama que estava criando com seus pensamentos.
––– Sim, Vera...
––– Tem uma moça lá fora querendo falar com a senhora...
Iara fez uma cara de surpresa, ao mesmo tempo em que ria do pensamento anterior, e se dirigiu ao portão. Passou pelo seu pai, que conversava com Hélio e com outras pessoas – eram, na maioria, ou funcionários do sítio, ou pessoas que ocasionalmente faziam algum tipo de trabalho pra ele.
Ao chegar próximo ao portão, avistou Vânia. Haviam se falado rapidamente na noite anterior, de forma um tanto fria, portanto, não houve nenhum convite para o almoço. Enquanto Iara vencia a distância que as separava, Vânia ficou admirando a mulher graciosa que vinha ao seu encontro e pensando no que aconteceria agora. Sabia que essa atitude intempestiva – de chegar sem avisar, como uma verdadeira ‘penetra’ - poderia não agradar a Iara, mas precisava arriscar. Passara a noite de Natal com seus pais, seus irmãos, suas cunhadas e vários sobrinhos. A única pessoa com que se dava bem era a irmã solteira, que felizmente estava presente e amenizou a chatice que era conviver com a maior parte das outras pessoas. Na verdade, a família nem levava tão a sério assim essa obrigatoriedade de passar os natais reunidos, porque não eram tão ligados, nem uns aos outros, nem às tradições. Eles usavam esta data apenas como pretexto para a reunião anual da família. Era a época em que havia os recessos, férias e tudo o mais que facilitava o entrosamento e a visitação entre as pessoas. O próximo encontro entre eles agora só aconteceria se houvesse algum enterro de parente, ou no próximo Natal. De qualquer forma, Vânia deu “Graças a Deus” quando se despediu de todos e se mandou de volta. Ela acabara de chegar de lá, vindo diretamente para a casa de Iara.
––– O que você está fazendo aqui, Vânia?
––– Resolvi quebrar o gelo e vim almoçar com você, mesmo sem ter sido convidada.
––– É muita cara-de-pau da sua parte. Quem te garante que vou te deixar entrar em minha casa? – Iara estava pasma com a audácia da mulher à sua frente.
––– O seu bom senso. – Vânia respondeu tranquilamente – Sabemos que você gosta de mim, e eu estou cada vez mais louca de paixão por você... Então, nada mais normal do que você abrir a porta da casa e também me apresentar para seu pai e seu filho como sua namorada.
Iara não conseguiu disfarçar o riso diante de tanta ousadia.
––– Você não vale nada mesmo, hein?
––– Não, não valho... Mas sou a única mulher que te ama atualmente...
––– E em algum momento eu tive mais de uma mulher apaixonada por mim?
––– Sim, você teve... Mas optou por mim, Graças às Deusas...
Iara não resistiu mais e a convidou para entrar.
––– Só que não posso apresentá-la como namorada... Nem invente moda!
––– OK! Vou me contentar com aquele ‘sem-gracissímo’: “Pai, essa é minha amiga Vânia...”
Iara deu-se por vencida e, rindo junto com ela da palhaçada, entraram na sala, onde as pessoas ainda conversavam e bebiam, alheias à possibilidade de qualquer mudança que pudesse acontecer naquele momento. E exceto pela cara feia de Hélio, realmente não houve mudança alguma.
As apresentações foram feitas de modo simples, porque ao ver Vânia de calça e casaco jeans, Iara quase se arrependeu de tê-la deixado entrar. Bom, mas de qualquer modo, sua família precisava conhecê-la. “Pena que ela tenha vindo assim, com essa roupa tão inadequada”, pensou ela, enquanto levava-a para a cozinha, para concluir os preparativos. O almoço estava bem animado, com muita conversa e risadas. Seu Alcides relaxou logo que começara, e até elogiou a roupa e o cabelo de Vera, que se sentara ao seu lado. Iara atentou para este fato e se sentiu aliviada por isso, pois finalmente via o pai menos triste desde a morte da mãe. Assim que todos se sentaram e começaram a comer, Iara observou que Hélio não tirava os olhos de Vânia. Após o almoço, ele a chamou para um lado e disse:
––– Pelo menos a outra lá é feminina... Pode até ser confundida com uma mulher, mas esta aí, Iara... Pelo amor de Deus, como é que você tem coragem de trazer essa figura para o meio da sua família, Iara?
––– Hélio, isso é problema meu e é bom que você não se intrometa tentando colocar o Rodrigo contra mim!
––– Não vou fazer nada contra você, Iara! Pode levar a vida que quiser! Agora, quem está feliz por ter se livrado do casamento sou eu! Sou livre e tenho bom gosto!
Dizendo isso, ele lhe desejou um Feliz Ano Novo e se afastou, indo para perto de Rodrigo e de seu Alcides. E em poucos minutos despediu-se e saiu dali.
Uma hora depois, quase todos já haviam se retirado. Seu Alcides estava na varanda se despedindo de dois rapazes que esporadicamente faziam trabalhos para ele, Rodrigo em seu quarto ensinava o filho de Vera a jogar vídeo game, Vera e Vânia ajudavam Iara na organização da cozinha. Em dado momento, Iara deixou Vera sozinha com o pretexto de mostrar o quintal para Vânia. Ao perceber que já não poderia ser ouvida, ela desabafou:
––– Será que você não poderia ter caprichado um pouco mais na roupa para vir até aqui?
–––Ah, qual é o seu problema, Iara? Você gosta de mim ou das roupas que uso? Qual a importância disso, afinal?
––– Não é nada disso! Apenas acho que você poderia ter usado uma blusa menos masculina e uma calça de tecido fino... Mas tudo bem!
Vânia aproveitou a chance para tentar mais uma vez:
––– E então, vai me aceitar de volta ou pretende entrar Ano Novo na solidão? Olha que os mais antigos diziam que você vai repetir tudo o que você fizer no primeiro dia do ano. Vai mesmo se arriscar a passar um ano inteiro secando lágrimas de saudade de mim?
––– Como você é engraçadinha, Vânia! Nem adianta usar desses truquezinhos aí, porque não vai me convencer...
––– Eu não preciso usar nada... Só quero te deixar com essa idéia na cabeça: ficar comigo ou “sem migo”... Pense e escolha o que for mais vantajoso. – Vânia tentava fazer uma cara séria, mas não conseguia.
––– Só se você me prometer que vai resistir àquela safada da sua ex, se ela aparecer de novo!
––– Prometo! Prometo tudo o que você quiser, mas, por favor, não me deixe sozinha por um ano inteirinho! Nesse momento, estavam sob uma grande mangueira, e Vânia puxou Iara contra si e beijou-lhe apaixonadamente, tentando, com isso, convencê-la de que não estava brincando.
Minutos depois, duas mulheres sorridentes entravam de volta na cozinha, mas Iara percebeu que seu pai conversava com Vera de uma maneira um tanto quanto íntima. Então ela pegou Vânia pela mão e saíram de fininho dali.



Escrito por MariaN às 21h40
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