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Conto de Meninas - UOL Blog



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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese



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Conto de Meninas


Patrícia

Capítulo 77

Caía uma chuva fria e bem fininha quando ela desceu do carro no estacionamento do prédio de Cintia disposta a reassumir de vez as rédeas da sua história. Não permitiria que Iara continuasse a perturbá-la para sempre. Decidiu que era chegada a hora de admitir seu amor por Cíntia. O desejo puramente sexual e a curiosidade por vivenciá-lo fora aos poucos substituída por um carinho e uma ternura tão sinceros que, a cada dia, ela sentia-se inundada por um sentimento muito tranqüilo, calmo e relaxante. Percebia que a intensidade vinha aos poucos, nos momentos de extrema intimidade. No restante do tempo em que ficavam juntas era assolada por uma poderosa sensação de segurança e bem-estar. Sim, era amor. Pensando nisso tudo resolveu que ainda hoje faria uma proposta a ela. Ao passar pela portaria, só acenou para o porteiro e subiu direto, sem se anunciar. Sabia que ele avisaria Cintia e, como já acontecera outras vezes, a porta estaria aberta quando ela chegasse lá em cima.
Entrou, fechou a porta e ouviu a voz de Cíntia. Foi caminhando em direção a ela, que vinha lá da cozinha:
--- Venha até aqui, Minha Vida... Eu estava te esperando, mesmo sem saber se viria...
Patty sorriu ao ver que sua namorada estava parcialmente dentro da geladeira pegando alguma coisa e, diante dessa recepção tão amorosa, sentiu uma pontinha de remorso pelo encontro que acabara de ter com Iara. Sem se deixar abater por essa sensação ruim, abraçou-a por trás e tirou-a dali. Ela tinha um pote de doce na mão e um sorrisão imenso no rosto. E, deixando-se beijar e abraçar, ela dizia:
--- Que bom que você veio... Pensei que só fosse te ver amanhã...
Desvencilhando-se um pouco dos braços de Patty, ela pegou uma colher, dizendo:
--- Ando com uma vontade de comer doce.... vem aqui pra sala... senta aqui comigo...  – e olhando melhor para Patrícia, ela reparou que seus cabelos estavam úmidos - Nossa, onde foi que você achou chuva, meu amor? Pegue uma toalha lá no banheiro pra se secar, vai...
--- Que nada... É chuvinha de verão. Foram apenas algumas gotículas aqui nos braços...
--- Mesmo assim, é melhor se enxugar...
Patty obedeceu, apesar de saber que não havia tanta água assim. Aproveitou para olhar-se no espelho e gostou de constatar que omitir o ocorrido para Cíntia não a deixava bem consigo mesma. “Antes de ir embora eu vou contar tudo. Olha como é linda a minha amada... e que delícia vê-la assim, tão bem! Não quero que ela sofra por algo tão... tão desimportante... Nada é mais importante do que a minha paz, e esta eu encontrei foi aqui, ao lado dela... E a minha Cín não merece ser enganada...”
Voltando para a sala, sentou-se ao lado de Cíntia que, alheia aos conflitos de Patty, levava uma colherada de doce à boca.
---  Isso parece bom, mas tenho que me cuidar – foi o comentário de Patrícia.
--- Ah, que nada, pega só um pouquinho aqui, ó... – respondeu Cíntia toda sorridente, mostrando a pontinha da língua.
A partir daí foi uma sucessão de beijos, abraços... “Um pega aqui e acolá” que tornava impossível de determinar quem fazia o quê com quem. Felizes, riam e rolavam pelo tapete como duas crianças. Ou como duas mulheres apaixonadas.
De repente, Patty estava sentada no chão, com as costas apoiadas no sofá e com o rosto de Cíntia muito próximo ao seu. Fitou demoradamente os olhos da namorada, e bem baixinho, no seu ouvido, perguntou:
--- Você quer se casar comigo?
Cíntia parou de rir e ficou séria:
--- Você falou alguma coisa? – perguntou, virando a cabeça pra olhar nos olhos de Patty.
--- Sim, falei... e estou esperando uma resposta.
--- Repete, por favor...
--- Quer se casar comigo, namorada minha?
--- Como assim, casar? Você diz morar junto, acordar todos os dias grudadinhas e tal e coisa e coisa e tal?
Patrícia riu e concordou:
--- Sim, ficar sempre coladinhas uma na outra, dia e noite e noite e dia... Ou você pensou que pudesse chegar aqui, brincar de namorar, usar e abusar desse “corpitcho”, usurpar todos os meus “ais” e depois sair impune por aí? Nada disso, garota... Sou moça pra casar....
Ao invés de responder com um simples sim, Cíntia se levantou e começou a dançar pela sala. Patrícia, ainda sentada no chão, alcançou o controle do som, aumentou o volume da música e depois foi até ela. Com um pequeno movimento de braço e um toque de mão, a fez rodopiar. Em seguida, enlaçou-a pela cintura e a beijou com ardor.
--- Patty, meu amor, eu sempre quis ouvir qualquer palavra, por mais insignificante que fosse...
--- E por que eu te diria algo insignificante, Cín? – Brincou Patty.
--- É que você nunca me diz nada sobre sentimento... Eu pensava que você não quisesse nada comigo além de um namorico passageiro... daqueles do tipo “operação tapa-buraco”... Sei lá, todos os dias eu me preparava pra te perder ”praquela” outra lá, ou pra alguém interessante que surgisse...
--- Quer dizer que você tentou me perder de todas as maneiras, é, mocinha? – Patrícia brincou, mas logo mudou o tom de voz e continuou – Olha, nem vou levar a sério o que você acabou de dizer, pra não me sentir ofendida.
--- Ok, eu devo ser uma boba mesmo, porque preciso te falar tudo o que passei...
--- Ah, sua bobinha, relaxa.... Ainda estou esperando...
--- Desde que nós começamos a namorar, eu sempre me senti numa corda bamba. Sabia que eu tinha pesadelos em que você me dizia que estava indo embora? Puxa vida, agora você diz
claramente que quer ficar comigo... Nem sei como é acreditar nisso! É tão bom que nem sei o que pensar... Delícia saber que pra você eu sou algo real... Que tudo que vivemos juntas é importante pra você... Acho que estou falando demais...
Patrícia fez cara de quem compreendeu a confissão e, levantando o seu queixo, procurou seus olhos:
--- Olha pra mim... voce não está falando demais ... Cíntia tinha os olhos marejados e a emoção não permitiu que as palavras fossem ditas e, não sabendo como demonstrar sua felicidade, jogou-se sobre Patrícia e a beijou. E assim, entre beijos e sorrisos elas foram para o quarto e se entregaram voluptuosamente aos desejos que ardiam em seus corpos. E já era tarde da noite quando Patty foi pra sua casa, deixando uma Cíntia boba de tanta felicidade.



Escrito por MariaN às 21h06
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