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Conto de Meninas - UOL Blog



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Conto de Meninas


Patrícia

Capítulo 78

Nos dias que sucederam ao pedido de casamento, Cíntia mal conseguia se segurar em meio a um frenesi íntimo que revolvia tudo  dentro de si. Parecia que tudo nela esbanjava felicidade. Cada gesto, cada olhar, cada sorriso... No seu primeiro réveillon como noiva de Patrícia, ela percebeu como a vida podia ser perfeita. A presença, o carinho e o sorriso de Patty demonstravam a todo instante que esta seria a sua realidade a partir de agora. Todas as datas seriam vividas cada vez mais intensamente.
Antes de se sentarem para a ceia especial que dona Marta e elas prepararam, Cíntia ligou para seus pais. Depois de falar por alguns minutos passou o telefone para Marta que passou para Patrícia: as três manifestaram e receberam os votos de feliz ano-novo, e no meio de todo o aquele blá-blá-bla de final de ano, os pais de Cíntia disseram que viriam visitá-la no próximo final de semana. Antigamente, ou não tão antigamente assim, ela teria ficado preocupada com esta visita, porque sempre que isto acontecia, eles lhe cobravam uma “mudança de comportamento”, como se sua homossexualidade tivesse algo a ver com uma escolha. Ao final da ligação as três sentaram-se à mesa, serviram-se e falaram dos planos para o ano que se iniciava. Dentre eles, o de viverem juntas. Dona Marta, a princípio, não entendeu bem quando Patty disse:
--- Mãe, Cin e eu resolvemos morar juntas... Embora a gente saiba que não será fácil encarar a família dela, temos a felicidade de contar com o teu apoio e isso vai nos ajudar muito, afinal, muitas coisas mudarão de lugar...
Dona Marta fez uma carinha de desamparo quando deixou os talheres de lado para tirar uma duvida:
--- Mas... Minha filha, você vai se mudar daqui? – perguntou com a voz vacilante.
Entre uma garfada e outra e com a voz bem tranqüila, Patty procurou acalmar o olhar aflito dela:
--- Relaxa, mãe... Ainda vamos conversar muito sobre isso... Mas acho que nós vamos nos mudar daqui, sim.
--- Como assim, vamos?
Levantando-se de sua cadeira, ela deu a volta à mesa e abraçou a mãe por sobre a cadeira.
--- Sim, minha mãe, você vai comigo aonde eu for... Ei, eu não vou te abandonar nunca... que idéia é essa? Nós ficaremos juntas até o fim... Não importa o que isto signifique!
--- Tá bom, filha... Agora vamos comemorar mais um ano que começamos com tantas promessas boas para nós três aqui... – Foi a resposta dela para disfarçar as lágrimas de emoção que brotavam em seus olhos.
Percebendo isso, Cíntia logo propôs um brinde à nova vida que se iniciava. Por sobre a borda de sua taça fitou os olhos de Patrícia e viu um agradecimento estampado neles. Passado esse momento de emoção, elas começaram a falar sobre os planos, os sonhos e as metas a serem conquistadas. Esta conversa adentrou a noite com cada uma querendo falar dos seus desejos e, mesmo enquanto lavavam a louça e tentavam deixar a casa em ordem para o dia seguinte, elas não pararam de falar. Já passava das quatro horas da madrugada quando Patty e Cíntia deram um beijo de boa noite em dona Marta e foram para o quarto. Pela primeira vez Cíntia dormiria na cama de Patrícia.
Uma de cada vez elas foram ao banheiro, botaram os pijamas, escovaram os dentes e se deitaram. Patrícia estendeu os braços para Cíntia e com um beijo apaixonado, lhe disse:
--- Seja bem-vinda à minha cama e à minha vida!
Depois do beijo, Cíntia sorriu e concluiu:
--- Já sei o que você vai dizer: “Desculpa, meu bem, mas agora nós só vamos dormir...”
Ambas sorriram e em poucos minutos dormiam profundamente.
Pela manhã, ao se levantar e passar pela porta aberta do quarto de Patrícia, dona Marta as viu. O abraço que as conduziu ao sono fora se desfazendo durante a noite e agora cada uma havia se virado para um lado da cama.“Acho que agora é de verdade. Eu tenho que me acostumar mesmo com essa realidade... Minha filha dorme na mesma cama com outra mulher... Deus sabe o que faz! Vou fazer o café, que daqui a pouco elas vão acordar com fome...” Pensou dona Marta e até conseguiu sorrir pra si mesma enquanto preparava o café da manhã para as três.


Continua...

 

 

 



Escrito por MariaN às 23h02
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