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Conto de Meninas - UOL Blog



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Conto de Meninas


 

Patrícia

Capítulo 80

 

 

Acordar naquela manhã, primeiro dia do ano, foi uma delícia. Antes mesmo de se lembrar de onde estava, Cíntia sentiu o braço de Patty sobre sua barriga. Abriu os olhos devagar e sorriu. Daqui pra frente será assim. Ela e eu, eu e ela. E dona Marta. Claro.Balançou a cabeça diante dessa constatação, se livrou do braço de Patty e saiu da cama devagar. Passou rapidamente pelo banheiro e saiu em busca do café cujo cheiro já se espalhava pelo apartamento.Entrou na cozinha com um sorrisão nos lábios, e com um beijo cumprimentou dona Marta:
____ Bom dia! Dormiu bem?
____ Bom dia, Pequena... Sim, muito bem e vocês?
____ Também, mas pra variar, acordei com fome... Posso te ajudar a arrumar a mesa do café antes de chamar Patty?
____ Pode, mas não é necessário... Vai lá, traga aquela dorminhoca até aqui antes que fique muito tarde e a gente perca metade do dia só no café da manhã...
____ Pois é... E nem planejamos nada pra hoje... Parece que a Patty falou alguma coisa de ficar o dia todo em casa ‘morcegando’... Sei lá... De qualquer modo preciso ir até a minha casa pegar uma roupa...
____ Que pena... ah, mas bem que a gente poderia almoçar fora... não estou muito disposta a ir pra cozinha no primeiro dia do ano...
____  É, mas nós podemos convencê-la a mudar, afinal, somos duas contra uma... Ou a favor, não sei...
Ambas ririam desse comentário, e Cíntia foi saindo da cozinha.
___ Vou terminar aqui enquanto voce vai lá...
___ Tá bom... Já volto com ela – e Cíntia saiu sorrindo.
Tentou entrar no quarto bem devagarinho, cuidando para não acordá-la de uma forma abrupta. Patty, porém, já se espreguiçava sorrindo e a recepcionou, dizendo:
____ Que bela entrada de ano, hein, garota?
Cíntia se espantou pelo tratamento exageradamente casual usado por Patty, por isso se conteve além da conta na resposta:
____ Pois é... Pensando bem, às vezes, eu ainda acho que sou a única pessoa genuinamente feliz de nós duas... Ou que tudo isso é apenas um sonho maravilhoso.
Patty abriu os braços num convite, e Cíntia se ajeitou entre eles sapecando mil beijinhos no rosto e na boca da mulher amada.
____ Ai, Cín! E desde quando um sonho pode ser tãaaao maravilhoso? No máximo, o sonho pode ser bom, interessante, lindo... Mas é aqui, na vida real e muito bem acordadas que a gente constrói as relações, com todo aquele elenco de adjetivos que as acompanham.
____  Huum, começou o ano falando bonito, hein?
____ Ah, bobinha... Mas, falando sério... Vamos fazer tudo direitinho agora? Podemos começar com você aprendendo a falar e a pensar no plural. Somos duas, meu bem...
____ Ok, Darling! Prometo que vou começar a acreditar que o meu amor te trouxe definitivamente pra mim. E de verdade!
____ O nosso amor nos aproximou, Cíntia - Foi a resposta rápida de Patrícia. - Sim, porque a partir do momento que descobri que te amava, sonho todos os dias com a construção da nossa vida... juntas e coladas... Entendeu, mocinha?
Desgrudando de sua boca, depois de um beijo demorado, Cíntia respondeu com os olhos bem fechados.
____ Sim....Sim....Sim...
Sorrindo, Patty se afastou ensaiando um pedido de desculpas:
____ Ai, Cín, ainda estou com gosto de travesseiro na boca... Deixa eu me levantar... E minha mãe pode entrar aqui, de supetão... – reclamou Patty.
____ Então me ouça. Primeiro: eu amo sua boca com todos os seus sabores. E o de travesseiro é só um deles; segundo: além de permitir, eu vou te ajudar a sair desta cama, porque tua mãe me incumbiu dessa tarefa, já que ela programou um passeio, um almoço e está nos esperando pra tomar café...
____ Como assim, programou alguma coisa sem ‘Me’ consultar?
Fazendo cara de falso espanto, Cíntia falou:
____ Quer dizer que nada acontece nesta casa sem o ‘seu‘ consentimento? Cruzes! Onde fui amarrar meu coração?!
____ Logo, logo você vai descobrir que é impossível desatar o nó esse...
Dando-lhe mais um beijinho, Patty saiu da cama.
Chegaram à cozinha quando dona Marta acabava de fechar a térmica com o café.
____ Bom dia, mãe... Que história é essa de se apossar do meu dia, com a intenção de definir o primeiro dia do ano na minha agenda?
O tom tentava imitar uma bronca, mas estava escancarado que era brincadeira. Com uma cara sapeca, deu um beijo seu rosto, pegou a garrafa em sua mão e foi se dirigindo à mesa. Com um gesto, indicou uma cadeira para que Cíntia se sentasse ao seu lado, e continuou conversando. A mãe, acostumada com todos os tons de voz da filha, não deu importância para aquelas palavras.
____ Pois é, filha, nem falamos sobre isso, mas pensei num almoço bem gostoso em algum restaurante em que nunca fomos.
____ É, pode ser – respondeu pensativa – Tantas mudanças estão para acontecer conosco. A gente vai mesmo precisar conversar sobre isso... Mas eu havia pensado em ficar em casa organizando algumas coisas, roupas... Sei lá... Afinal, amanhã começa tudo de novo...
____ Filha, desde quando você precisou se preocupar com isso? Sempre deixo tuas coisas prontas...
Passando a mão no braço da mãe, ela respondeu:
____ Eu sei, mãe, minha vida só anda bem, porque você está ali, andando na minha frente e cuidando de tudo pra mim.
Olhando para os olhos de Patrícia e para o olhar entre as duas, Cintia entendeu a força do elo que existia entre mãe e filha. E prometeu a si mesma que jamais faria algo que pudesse estragar aquela relação.
Interrompendo o silêncio que havia acabado de se instaurar, soou a campainha.
Olharam-se, e Patty logo resmungou:
___ Começamos bem o ano! Sem porteiro, sem privacidade...
___ De repente, é o próprio...
Respondeu a mãe, já se levantando para abrir a porta.
Parada na soleira e com um sorriso que ficou amarelo de repente, talvez por dar de cara com Marta, e não com Patrícia, estava Iara.



Escrito por MariaN às 17h55
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