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Conto de Meninas - UOL Blog



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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese



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Conto de Meninas


 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 82

 

Saindo dali, Iara voltou correndo para a casa de Vânia. E sequer se lembrou de que Vânia havia previsto esta volta.
Apesar do pranto que quase a impedia de enxergar as ruas pelas quais passava, tinha certeza que havia chegado ao seu limite. Sentia-se pouca, pequena, indesejada. Isso doía. Será que Vânia ainda estaria esperando por ela? Será que ainda haveria a possibilidade de recomeçar algo em sua vida?

O final do seu casamento se chocou com seu encontro com Patrícia. E, neste choque muitas coisas foram despedaçadas. Não houve tempo pra se recompor, pra pensar o que queria da vida dali por diante. E Patty pressionava... e queria definições, compromisso, casamento... E ela foi-se perdendo entre o seu querer e o de Patty. E no afã de se fazer entender, de se fazer respeitar, talvez tenha cometido algumas precipitações. E agora tinha Vânia. Aparentemente, uma mulher que preservava a sua liberdade acima de tudo, de repente, começava a exigir mais e mais atenção. Poxa, será que teria que implorar às pessoas pelo direito de ficar um pouco sozinha e reconstruir sua vida do seu jeito, sem interferências?

Estacionou o carro à frente da casa de Vânia, desceu e entrou com a mesma naturalidade de quem entra na própria casa.
___ Sabia que estou cansada desse vai-e-vem ?
Foi logo dizendo, assim que viu Vânia sentada no sofá, com um livro na mão.
___ Simples: não vá e nem venha: fique!  Sossegue, mulher! – Vânia respondeu com aquela calma que lhe era peculiar.
___ A sensação que eu tenho é a de que estou sempre ligada a alguém. Dependendo emocionalmente de alguém. Queria tanto mudar isso!
___ Vem cá... Senta aqui do meu lado...  Vamos conversar...
Iara não hesitou. Vânia pegou sua mão e olhando bem em seus olho
s, disse:
___ Você é li
vre, Iara! Livre e adulta! Dona da tua vida, do teu destino, do teu caminho... Do teu coração! Nunca se esqueça de que nada e nem ninguém pode ou poderá decidir o rumo que você quer dar à tua vida! Só você!

Iara olhava para a boca que pronunciava essas palavras, sem entender bem aonde ela queria chegar. E Vânia continuou:
___ O amor e o carinho que sinto por ti não me dão o direito de escolher ou decidir o teu destino. Apesar da enorme vontade que sinto de te pedir que fique comigo, eu te deixo livre. É sério.
___ Muitas vezes eu penso que você está abusando de mim e dos meus sentimentos...
___ Não... Na maioria das vezes, eu apenas tento te mostrar, de uma maneira um tanto quanto distorcida, a vontade que sinto de ter uma vida contigo... Mas não posso e nem te quero cobrar nada, por mais que me doa ver você tão perdida por conta dessa paixão aí.
___ Pois àquela hora em que saí daqui me pareceu o contrário: que você só quer provar pra você mesma que ainda pode conquistar alguém... Que você é a gostosona... Ou, sei lá!...
___ Não, Iara... Eu apenas tento te levar numa boa, sem me estressar... eu sempre soube que se eu te cobrasse seriedade, postura, atitude, comprometimento...essas coisas todas, você sairia correndo de mim ...Eu quis te dizer que sou diferente da outra moça... Ou seja, fica comigo se quiser... Mas eu te quero!

Iara olhava para aquela mulher sem entender nada. Como pode ser possível encontrar duas pessoas tão assustadoramente diferentes num mesmo momento da vida? Será que tudo o que ela precisava agora era encontrar outra totalmente diferente dessas duas?

___ Eu também te quero... Mas não sei se quero só você.
Iara se levantou, foi até a cozinha, pegou água e voltou pro mesmo lugar onde estava antes.
___ A ressaca tá pegando, hein? – comentou Vânia, com aquele toque de cinismo que sempre fora sua marca registrada®.
___ É assim que você me trata? É assim que você quer que eu fique do seu lado?
___ Assim como? Só estou te tratando como você gosta de ser tratada.
___ Você está muito enganada, Vânia. Eu sempre busquei respeito. Sempre agi de forma que todos me respeitassem. Essa expressão vulgar que você acabou de usar não condiz com o meu jeito de ser.
___ Sinto te dizer isso, mas você não conseguiu esse respeito que queria. A submissão e a fragilidade que sempre demonstrou ao atender as exigências do teu marido e o hábito de dar satisfação e explicações para cada passo teu acabou te deixando assim, desconfiada, intransigente e mimada... Se te cuidam, você se ressente; se te exigem, você foge; se te ignoram, você reclama... Sério, assim fica difícil!

Por um momento elas ficaram quietas, caladas. Cada uma olhando para o mesmo ponto na parede, como se a outra não estivesse ali. Neste momento único, porém dividido, duas vidas inteiras passaram pelos seus pensamentos.
Depois de analisar essas palavras por alguns segundos, Iara jogou a cabeça pra trás, encostando-se ao sofá, respirou fundo e disse:
___ Confesso que não sei bem o que fazer com tantas informações novas que venho recebendo a meu respeito. Fico pensando em tudo o que eu era e em tudo o que queria ser quando estava casada com o Helio.

Vânia olhava pra ela com atenção, esperando o que viria a seguir. E, Iara, depois de alguns segundos olhando para o nada, continuou:
___ Na minha inocência, sinceramente, eu acreditava que bastava eu me separar, passar um tempo na casa de meus pais e, em seguida, arranjar uma ocupação que me desse condições de manter mim e ao meu filho e continuar a minha vida. De repente, me deparei com tantas complicações, tantas restrições do tipo:  “isso pode, isso não pode” que me dá vontade de voltar àquilo que eu já conheço.
___ Sério que você cogita voltar ao seu casamento... voltar a ser infeliz?
___ Eu estava bem, me sentia protegida... Bastava transar algumas vezes por mês e pronto. Meu Deus, tanta coisa aconteceu desde que resolvi “ser feliz, viver a minha vida, dar vazão aos meus sentimentos e às minhas vontades mais secretas”... Enfim, atender aos apelos da minha natureza! Putz! Como é alto o preço que pagamos para sermos o que somos!!!

Vânia sabia que era um desabafo. Respeitou isso e manteve silêncio.
___ Conheci a Patrícia, me apaixonei... Achei que tudo seria um mar de rosas daquele momento em diante... e então vieram as cobranças, a necessidade de ser mais que namoradas... Sabe, cansei... Eu precisava de tempo pra me reestruturar! Eu preciso de tempo!! E vem cobrança de todo lado: “Ah, voce tem que fazer isso, ah, mas o melhor é que voce faça aquilo...”  Depois de tudo isso que você já sabe, conheci você... E você sempre me dizendo que ninguém é de ninguém, que o gostoso é namorar sem compromisso, sem cobrança... e em pouquíssimo tempo você também bota as manguinhas de fora... E repete tudo. Pra mim, chega...

Finalmente, Vania se manifestou:
___ Como Assim, Chega???? E nós? E eu??
Com um olhar incrédulo, Iara respondeu:
___ Olha, se você não entendeu nada, então o meu problema é maior do que eu esperava...
___ Espera! Eu entendi! Claro que sim... Mas é que a palavra CHEGA é muito vasta, muito ampla... pode significar qualquer coisa... Explique-se melhor, por favor...
___ Sim, explico-me: Vou fazer uma viagem...vou me conhecer melhor...
___ Espera! Eu posso ir contigo!
___ Não, você não percebe que tudo o que eu preciso nesse momento é ficar sozinha comigo? Não vamos complicar o que não precisa de complicação. Eu vou indo... Quando eu voltar, prometo te procurar...Iara, apesar do espanto no olhar de Vânia, foi em direção à porta e saiu, sem olhar pra trás.E, realmente, no dia seguinte já providenciou tudo. Foi a uma agencia de viagens, escolheu o nordeste como destino e marcou tudo para dentro de quatro dias. O pai tentou dissuadi-la dessa loucura, logo agora que ela estava por abrir seu próprio negocio, e essas coisas exigem muita atenção da gente ... Não se pode ir saindo assim, abandonando tudo como se fosse uma adolescente...
___ Já pensei em tudo, pai. Vou apenas adiar por
uns quinze dias a abertura da loja. Pensa bem, depois de aberta, quando é que eu vou poder tirar férias? Melhor ir agora, concorda?
Seu Alcides fez um gesto de indiferença e saiu de perto.



Escrito por MariaN às 22h48
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